Bombas armênias
Bernardo Araujo para O Globo
Nada como a interpretação de quem está analisando uma questão do lado de fora. A questão em questão é nada menos do que os Estados Unidos da América e sua cultura, sua paixão pela guerra, pelo imperialismo, a profunda superficialidade da Califórnia, etc. Quem interpreta tudo isso é um quarteto de rapazes esquisitos com nomes idem: Serj Tankian, Daron Malakian, Shavo Odadjian e John Dolmayan, o System of a Down, uma das bandas de rock pesado mais interessantes e bem-sucedidas do atual milênio. Descendentes de armênios — o que dá um sabor oriental a seu som — e ao mesmo tempo californianos da gema, eles lançaram recentemente seu quarto disco, “Mesmerize”, que foi direto ao primeiro lugar da parada americana.
Nas 11 músicas de “Mesmerize” — que ganharão uma continuação em “Hipnotize”, com lançamento marcado para novembro — o quarteto continua a revolução deflagrada em “Toxicity” (2001) e “Steal this album” (2002).
De fato, é difícil uma mensagem tão cristalina quanto a de “B.Y.O.B.”, primeiro sucesso de “Mesmerize”. Aos berros, Tankian (os vocais são divididos entre ele e o guitarrista Malakian) pergunta: “Por que os presidentes não vão para a guerra?/ Por que eles sempre mandam os pobres?”. No refrão, o instrumental ultrapesado e agressivo cai para uma levada dançante (que, no clipe, é acompanhada por uma troca no visual dos músicos, que ficam mauricinhos), e a dupla canta: “Todos vamos para festa/ Nos divertir a valer/ Dançando no deserto/ Explodindo o brilho do sol”. O nome da música, aliás, é um trocadilho com a expressão “Bring your own bottle”, ou “Traga sua própria garrafa”, trocando “bottle” por “bomb”.
Tom Leão: O mais louco nisso tudo é que o SOAD não faz exatamente metal. Não só. Apesar das guitarras e da bateria pesadas, o que tem por baixo das camadas são influências diversas, que passam também pelo progressivo, pelo rock clássico americano e pelo hardcore/punk, com alguns leves toques ciganos. Mas não interessa tanto o condutor, e sim o que vem dentro do pacote. A banda consegue fugir do óbvio, dos temas abstratos, da raiva por si só, e compõe um álbum extremamente ambicioso que não afunda em sua pretensão. E tudo acaba com a épica “Lost in Hollywood”. “All you bitches put your hands in the air and wave them like you just don't care” (“Todos vocês, suas vacas, botem suas mãos para o alto e as agitem como não se importassem”).
quarta-feira, junho 08, 2005
Marina W. e seu caderno de cinema
Blogueira quebra a mesmice da crítica de cinema e lança livro com suas opiniões sobre filmes, atores, diretores... O Caderno de Cinema de Marina W. é leitura obrigatória.
Blogueira quebra a mesmice da crítica de cinema e lança livro com suas opiniões sobre filmes, atores, diretores... O Caderno de Cinema de Marina W. é leitura obrigatória.
terça-feira, junho 07, 2005
Não estou conseguindo postar no Obsessions, meu blog oficial. Esse aqui, nunca me falha...
Estava pensando num sonho que tive nessa madrugada. Daqueles que parecem reais demais. Acordei me sentindo angustiada. Lembrei de minha amiga que se separou depois de 20 anos de casada. Eles não tinham filhos, muita gente acha que esse foi um dos motivos, porque ele queria e ela não. Não sei. Parecia que se davam muito bem, se conheciam desde a escola. Um belo dia , ele vai embora. Foi um baque para ela, que não tem emprego apesar de ser formada em arquitetura. Imagine o vazio que deve dar, tantos anos de convívio e de repente vai cada um para o seu lado.
Leio no Blowg: "Quando estava na casa de H., seu marido gritou 'Corre! Corre!'. Era pra ela ver um negócio na televisão. Casamento é assim, sempre um dos dois grita corre pro outro olhar alguma coisa que está passando na tevê e é rápido. Então me bateu uma nostalgia porque eu acho isso muito legal. Peguei Leopardo, do Visconti, na prateleira cheia de dvds." É isso mesmo, quantas vezes tivemos um momento assim? inúmeras! Falta aquela paixão do início, mas tudo passa. Às vezes, acho que não sei o que faria sem ele. Outras, quero distância. Esse sonho me assustou porque havia traição e abandono. Muitas vezes sonho que ele está me deixando. Não sei o que significa.
Leio no Cotidiano: "Comodismo é a palavra de ordem. Sete anos e eu continuo acumulando mofo.
Eu canso de estar na frente da tevê mas não me canso de assistir. Nessa roda a gente vai trocando um vício pelo outro até voltar aos anos setenta e fumar maconha ouvindo maluco beleza."
Acordei sentindo vontade de continuar dormindo. Sacudi a preguiça e levantei. Na academia, resolveram colocar música de são joão na aula de ginástica. Péssima idéia!
Estava pensando num sonho que tive nessa madrugada. Daqueles que parecem reais demais. Acordei me sentindo angustiada. Lembrei de minha amiga que se separou depois de 20 anos de casada. Eles não tinham filhos, muita gente acha que esse foi um dos motivos, porque ele queria e ela não. Não sei. Parecia que se davam muito bem, se conheciam desde a escola. Um belo dia , ele vai embora. Foi um baque para ela, que não tem emprego apesar de ser formada em arquitetura. Imagine o vazio que deve dar, tantos anos de convívio e de repente vai cada um para o seu lado.
Leio no Blowg: "Quando estava na casa de H., seu marido gritou 'Corre! Corre!'. Era pra ela ver um negócio na televisão. Casamento é assim, sempre um dos dois grita corre pro outro olhar alguma coisa que está passando na tevê e é rápido. Então me bateu uma nostalgia porque eu acho isso muito legal. Peguei Leopardo, do Visconti, na prateleira cheia de dvds." É isso mesmo, quantas vezes tivemos um momento assim? inúmeras! Falta aquela paixão do início, mas tudo passa. Às vezes, acho que não sei o que faria sem ele. Outras, quero distância. Esse sonho me assustou porque havia traição e abandono. Muitas vezes sonho que ele está me deixando. Não sei o que significa.
Leio no Cotidiano: "Comodismo é a palavra de ordem. Sete anos e eu continuo acumulando mofo.
Eu canso de estar na frente da tevê mas não me canso de assistir. Nessa roda a gente vai trocando um vício pelo outro até voltar aos anos setenta e fumar maconha ouvindo maluco beleza."
Acordei sentindo vontade de continuar dormindo. Sacudi a preguiça e levantei. Na academia, resolveram colocar música de são joão na aula de ginástica. Péssima idéia!
segunda-feira, junho 06, 2005
Superwoody
por Arnaldo Bloch
É fácil para Woody Allen saltar da tragédia para a comédia sem transição, ou, sem que percebamos, transformar o trágico no cômico, o cômico no trágico, o malfeito no sublime, o sublime em quinta categoria, a história esdrúxula em discurso shakespeariano, a arte das palavras em padrões exatos de lixo hollywoodiano... sem trocadilhos, por favor.
Por isso, cada vez que vou ver um novo filme de Woody Allen dirijo-me à sala de cinema como que movido por um dever. Um tributo que presto à inteligência, à fidelidade artística, à seriedade de princípios, e, mesmo, à própria grandeza humana, pois ser humano também é resistir a modelos absolutos.
Sinto-me como se fosse presenciar, na tela, algo raro, espécie de pensar e de dizer em franca extinção, da qual é preciso guardar os últimos registros, para a posteridade.
Lembro-me de uma crônica de Arthur Dapieve que descreve com precisão esse sentimento. O cronista citava Woody Allen como aqueles indivíduos que temos medo de perder. Dizia ter medo que Allen morresse, pois a partir deste dia o mundo e a civilização deixariam de ser os mesmos, teriam perdido uma porção considerável de sua essência.
Como o Dapieve, tenho medo que Woody Allen morra. Não é idolatria. Não enxergo nele um mito, não tremeria se diante dele estivesse. A dor da perda estaria mais relacionada com aquilo que ele pensa e expressa e, sobretudo, a maneira peculiar com que o faz. Pois hoje o pensamento do artista e a sua peculiaridade diluem-se com freqüência em formatos que fazem com que uma obra se pareça com todas as outras, feitas para um público pouco ansioso por novidade, por confronto de idéias, por reflexão, pelo rir que significa também saber, pelo choro que não alivia a angústia. Do outro lado, temos a experimentação e as vanguardas, umas autoproclamadas, outras ainda não sabidas, restritas a um público extremamente reduzido.
Allen é dos últimos cineastas que ainda sabem comunicar-se com o público concentrando em centímetro de película alto grau de reflexão e estilo. Ouvi-lo, mesmo quando não atua (caso de “Melinda e Melinda”), é privilégio que não se deve desperdiçar.
por Arnaldo Bloch
É fácil para Woody Allen saltar da tragédia para a comédia sem transição, ou, sem que percebamos, transformar o trágico no cômico, o cômico no trágico, o malfeito no sublime, o sublime em quinta categoria, a história esdrúxula em discurso shakespeariano, a arte das palavras em padrões exatos de lixo hollywoodiano... sem trocadilhos, por favor.
Por isso, cada vez que vou ver um novo filme de Woody Allen dirijo-me à sala de cinema como que movido por um dever. Um tributo que presto à inteligência, à fidelidade artística, à seriedade de princípios, e, mesmo, à própria grandeza humana, pois ser humano também é resistir a modelos absolutos.
Sinto-me como se fosse presenciar, na tela, algo raro, espécie de pensar e de dizer em franca extinção, da qual é preciso guardar os últimos registros, para a posteridade.
Lembro-me de uma crônica de Arthur Dapieve que descreve com precisão esse sentimento. O cronista citava Woody Allen como aqueles indivíduos que temos medo de perder. Dizia ter medo que Allen morresse, pois a partir deste dia o mundo e a civilização deixariam de ser os mesmos, teriam perdido uma porção considerável de sua essência.
Como o Dapieve, tenho medo que Woody Allen morra. Não é idolatria. Não enxergo nele um mito, não tremeria se diante dele estivesse. A dor da perda estaria mais relacionada com aquilo que ele pensa e expressa e, sobretudo, a maneira peculiar com que o faz. Pois hoje o pensamento do artista e a sua peculiaridade diluem-se com freqüência em formatos que fazem com que uma obra se pareça com todas as outras, feitas para um público pouco ansioso por novidade, por confronto de idéias, por reflexão, pelo rir que significa também saber, pelo choro que não alivia a angústia. Do outro lado, temos a experimentação e as vanguardas, umas autoproclamadas, outras ainda não sabidas, restritas a um público extremamente reduzido.
Allen é dos últimos cineastas que ainda sabem comunicar-se com o público concentrando em centímetro de película alto grau de reflexão e estilo. Ouvi-lo, mesmo quando não atua (caso de “Melinda e Melinda”), é privilégio que não se deve desperdiçar.
sexta-feira, junho 03, 2005


O enigma de James Dean
Por Ricardo Calil
02.06.2005 | "Quando se lembra James Dean, uma questão sempre vem à tona: ele se tornou um mito porque era um grande ator ou por uma combinação de estilo de vida e morte precoce?
As respostas sempre foram divididas. Humphrey Bogart, por exemplo, declarou: “Foi bom que ele morreu jovem. Se continuasse vivo, não seria capaz de justificar a publicidade em torno de seu nome”. O cineasta Elia Kazan parecia concordar com Bogart, ao dizer que Dean não conseguiria manter a qualidade de seu trabalho por ser um ator instintivo, ao contrário de Marlon Brando, mais técnico.
Possivelmente a verdade está no meio do caminho. Mas a morte de Dean com apenas 24 anos, em um acidente de carro no ano de 1955, impediu uma resposta defintiva. Por causa dela, Dean nunca precisou passar pela prova do filme ruim – o que o transforma em um caso raro entre atores de qualquer parte do mundo. Com apenas três papéis de destaque, ele participou de uma obra-prima (“Vidas Amargas”, de Elia Kazan), um marco cultural (“Juventude Transviada”, de Nicholas Ray) e um filme decente (“Assim Caminha a Humanidade”, de George Stevens).
Esses três filmes compõem a bela “Coleção James Dean”, que a Warner lança agora em seis DVDs. “Assim Caminha a Humanidade” vem em edição especial de três discos, “Juventude Tranviada” em dois, e “Vidas Amargas” (inédito em DVD) em um. Cada filme é acompanhado por um farto material de extras, que incluem documentários sobre o ator, cenas de bastidores, testes para os papéis e seqüências cortadas, entre outros destaques.
Em “Vidas Amargas” (1955), parábola sobre a história de Caim e Abel baseada em livro de John Steinbeck, Dean interpreta o inquieto Cal Trask, que disputa com seu exemplar irmão Aron (Richard Davalos) o carinho e a atenção do pai, mas sempre fracassa. É o primeiro personagem de destaque de Dean e também sua melhor interpretação, o que pode ser em parte creditado ao genial Elia Kazan, talvez o melhor diretor de atores da história. No papel de um Caim do século 20, já ficam claros alguns dos traços de seu estilo: a aparência frágil, o espírito indômito, o discurso hesitante.
Em “Assim Caminha a Humanidade” (1956), seu último filme, o estilo de Dean já se aproxima perigosamente do maneirismo, em que a repetição de certos tiques físicos não dá conta do universo interior do personagem. No papel de Jett Rink, ele luta contra Bick (Rock Hudson) pelo amor de Leslie (Elizabeth Taylor), ao mesmo tempo que tenta encontrar petróleo no Texas.
“Assim Caminha a Humanidade” traz indícios preocupantes do que poderia ser a carreira de Dean nas mãos de diretores menos brilhantes. Mas ele morreria apenas duas semanas após o final das filmagens, antes de dar uma resposta para seu enigma. Ainda que não seja de suas interpretações mais inspiradas, ela foi indicada ao Oscar postumamente. Aí o mito já havia se tornado maior que o ator."
Difícil saber. Para mim, o melhor filme dele foi "Vidas Amargas". Ainda lembro a primeira vez que vi, numa dessas sessôes corujas da vida, papai ainda era vivo e assistimos juntos. Tive que disfarçar o choro...
E não importa se James Dean era gay ou não.
Watch With Kristin
Lost: If you're one of the fans who thinks the Lost finale didn't give much bang with its season-ending blasts, try this on for size: A Website Easter egg planted by the producers that gives you a glimpse of what they're planning for the second season.
Here's what you do:
1. Go to the "official" Oceanic Airlines Website.
2. At the bottom, where it says "Travellers," enter Hurley's unlucky lottery numbers: 4, 8, 15, 16, 23 and 42.
3. Click the "Find" button.
4. Click on the row numbers on the flight's seating chart that match Hurley's numbers.
5. Don't blink.
6. Change shorts.
7. Figure out what the hell it all means.
8. Email me.
9. Keep digging. The site has much more to spill.
Grave Ending:
Everything. Everyone. Everywhere. Ends. So says Alan Ball, and the end of his series Six Feet Under is no exception. After five seasons with the Fisher family, we fans must accept that the end is near, but before we start the grieving process, we have one last glorious season to look forward to, premiering this Monday. Hurrah!
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2. At the bottom, where it says "Travellers," enter Hurley's unlucky lottery numbers: 4, 8, 15, 16, 23 and 42.
3. Click the "Find" button.
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5. Don't blink.
6. Change shorts.
7. Figure out what the hell it all means.
8. Email me.
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Grave Ending:
Everything. Everyone. Everywhere. Ends. So says Alan Ball, and the end of his series Six Feet Under is no exception. After five seasons with the Fisher family, we fans must accept that the end is near, but before we start the grieving process, we have one last glorious season to look forward to, premiering this Monday. Hurrah!
quarta-feira, junho 01, 2005
Blog é coisa séria
(Reportagem da revista VEJA)
Os diários virtuais não são só para adolescentes. Sua influência já vai da política aos negócios.
Surgidos há pouco mais de cinco anos, e com a velocidade típica das invenções do mundo virtual, os blogs – ou diários da internet – estão deixando a adolescência para entrar na idade adulta. Em sua primeira fase, eles eram usados quase que exclusivamente pela garotada que queria expor sua intimidade e se relacionar com os colegas na rede. Agora, essa ferramenta começa a ser utilizada de maneira séria em campos como a política e os negócios. Por meio de blogs, cidadãos até então anônimos – de jovens militantes a jornalistas – tiveram participação marcante nas últimas eleições americanas. Eles apoiaram candidaturas, trouxeram à luz notícias quentes e fiscalizaram a cobertura da mídia. Os blogueiros, como são chamados os que se devotam à atividade, conquistaram prestígio – um emblema disso é que foram tratados com a mesma deferência da grande imprensa nas convenções partidárias. Os blogs revelaram-se uma forma de expressão extraordinária também em outras situações. Foi por meio deles que o mundo teve contato com as primeiras cenas da tragédia do tsunami na Ásia, no ano passado. Em países como a China e o Irã, eles são hoje uma arma dos dissidentes políticos. E as empresas já apostam que seu uso será cada vez mais estratégico.
Hoje, estima-se que haja mais de 30 milhões desses diários virtuais no mundo inteiro, e deve-se atingir a marca de 53 milhões até o fim do ano, de acordo com a consultoria americana Perseus Development Corp. Nos Estados Unidos, seu universo de leitores cresceu 58% entre 2003 e 2004 – nada menos do que 32 milhões de americanos navegam por blogs. Essa efervescência também já chegou ao Brasil. No mês de abril, segundo o Ibope/NetRatings, mais de 7.milhões de brasileiros visitaram blogs ou fotoblogs – sua versão específica para fotografias. Isso equivale a 60% dos internautas do país. "No ano passado, os blogs foram a área que mais cresceu na internet nacional", diz Alexandre Magalhães, do Ibope/NetRatings.
Os blogs levam às últimas conseqüências dois princípios da internet. Um deles é a interatividade. Cada texto postado num blog vem acompanhado de uma janela para que os leitores façam comentários, o que torna essas páginas espaços de debate por excelência. O outro é a formação de comunidades que vão se ampliando e se sobrepondo. Os blogs são interligados uns aos outros por meio de links – os atalhos que permitem ao usuário saltar entre as páginas da internet. Assim, um texto publicado num blog que isoladamente não atrai grande número de leitores pode de repente se espalhar de maneira exponencial. Quanto mais um blog é recomendado pelos similares, mais ganha status. Da mesma forma, o blogueiro que participa das discussões em páginas de terceiros acaba, por tabela, divulgando a sua própria. Atualmente, o campeão em popularidade nos Estados Unidos é um blog chamado Boing Boing, que fala sobre cultura pop e tecnologia. Na semana passada, havia 22.532 atalhos para seu endereço em outras páginas da internet.
Por sua natureza, um blog já nasce com a necessidade de se interligar ao máximo a seus congêneres. Se há um traço comum entre os blogueiros que se destacam é a ânsia em falar e ser ouvido. Em seu novo perfil, os blogueiros são gente com prazer e vocação para se engajar num jogo de opinião e comentário. "Blog é, antes de tudo, atitude", resume o executivo Marcello Póvoa, especialista no mercado de internet. A elite dos blogs é formada por pessoas que trabalham nas margens da grande mídia – muitas vezes, jornalistas freelancers. Há os "linkers" – aqueles que usam seu blog para repercutir as informações que circulam na imprensa, fornecendo atalhos para elas – e os "thinkers" – os que produzem o próprio conteúdo.
Essa figura do blogueiro que não se furta a uma boa discussão e faz de tudo para ser lido já desponta no Brasil. O paulista Alexandre Soares Silva é um exemplo. Ele é tradutor e aspirante a escritor, mas encontrou sua forma de atingir as pessoas por meio dessas páginas na internet. Soares Silva é expoente do Wunderblogs, comunidade que reúne blogueiros de vários estados do país. Seus textos sarcásticos garantem a ele um bom índice de visitação. Seu blog tem entre 700 e 800 acessos por dia – tanto quanto seus dois romances, somados, venderam até hoje. "Tem gente que fica indignada porque critico as cotas raciais nas universidades e falo mal da literatura brasileira. Mas eu adoro provocar", diz. • NOME: Alexandre Soares Silva
• ENDEREÇO: soaressilva.wunderblogs.com
• CRIADOR: o próprio
• O QUE É: blog cultural
• O QUE FEZ: tradutor e escritor sem projeção, conquistou seu lugar ao sol com uma página em que fala de literatura e outros temas. Num único dia, tem cerca de 800 visitas – tanto quanto seus dois romances, somados, venderam até hoje.
(Reportagem da revista VEJA)
Os diários virtuais não são só para adolescentes. Sua influência já vai da política aos negócios.
Surgidos há pouco mais de cinco anos, e com a velocidade típica das invenções do mundo virtual, os blogs – ou diários da internet – estão deixando a adolescência para entrar na idade adulta. Em sua primeira fase, eles eram usados quase que exclusivamente pela garotada que queria expor sua intimidade e se relacionar com os colegas na rede. Agora, essa ferramenta começa a ser utilizada de maneira séria em campos como a política e os negócios. Por meio de blogs, cidadãos até então anônimos – de jovens militantes a jornalistas – tiveram participação marcante nas últimas eleições americanas. Eles apoiaram candidaturas, trouxeram à luz notícias quentes e fiscalizaram a cobertura da mídia. Os blogueiros, como são chamados os que se devotam à atividade, conquistaram prestígio – um emblema disso é que foram tratados com a mesma deferência da grande imprensa nas convenções partidárias. Os blogs revelaram-se uma forma de expressão extraordinária também em outras situações. Foi por meio deles que o mundo teve contato com as primeiras cenas da tragédia do tsunami na Ásia, no ano passado. Em países como a China e o Irã, eles são hoje uma arma dos dissidentes políticos. E as empresas já apostam que seu uso será cada vez mais estratégico.
Hoje, estima-se que haja mais de 30 milhões desses diários virtuais no mundo inteiro, e deve-se atingir a marca de 53 milhões até o fim do ano, de acordo com a consultoria americana Perseus Development Corp. Nos Estados Unidos, seu universo de leitores cresceu 58% entre 2003 e 2004 – nada menos do que 32 milhões de americanos navegam por blogs. Essa efervescência também já chegou ao Brasil. No mês de abril, segundo o Ibope/NetRatings, mais de 7.milhões de brasileiros visitaram blogs ou fotoblogs – sua versão específica para fotografias. Isso equivale a 60% dos internautas do país. "No ano passado, os blogs foram a área que mais cresceu na internet nacional", diz Alexandre Magalhães, do Ibope/NetRatings.
Os blogs levam às últimas conseqüências dois princípios da internet. Um deles é a interatividade. Cada texto postado num blog vem acompanhado de uma janela para que os leitores façam comentários, o que torna essas páginas espaços de debate por excelência. O outro é a formação de comunidades que vão se ampliando e se sobrepondo. Os blogs são interligados uns aos outros por meio de links – os atalhos que permitem ao usuário saltar entre as páginas da internet. Assim, um texto publicado num blog que isoladamente não atrai grande número de leitores pode de repente se espalhar de maneira exponencial. Quanto mais um blog é recomendado pelos similares, mais ganha status. Da mesma forma, o blogueiro que participa das discussões em páginas de terceiros acaba, por tabela, divulgando a sua própria. Atualmente, o campeão em popularidade nos Estados Unidos é um blog chamado Boing Boing, que fala sobre cultura pop e tecnologia. Na semana passada, havia 22.532 atalhos para seu endereço em outras páginas da internet.
Por sua natureza, um blog já nasce com a necessidade de se interligar ao máximo a seus congêneres. Se há um traço comum entre os blogueiros que se destacam é a ânsia em falar e ser ouvido. Em seu novo perfil, os blogueiros são gente com prazer e vocação para se engajar num jogo de opinião e comentário. "Blog é, antes de tudo, atitude", resume o executivo Marcello Póvoa, especialista no mercado de internet. A elite dos blogs é formada por pessoas que trabalham nas margens da grande mídia – muitas vezes, jornalistas freelancers. Há os "linkers" – aqueles que usam seu blog para repercutir as informações que circulam na imprensa, fornecendo atalhos para elas – e os "thinkers" – os que produzem o próprio conteúdo.
Essa figura do blogueiro que não se furta a uma boa discussão e faz de tudo para ser lido já desponta no Brasil. O paulista Alexandre Soares Silva é um exemplo. Ele é tradutor e aspirante a escritor, mas encontrou sua forma de atingir as pessoas por meio dessas páginas na internet. Soares Silva é expoente do Wunderblogs, comunidade que reúne blogueiros de vários estados do país. Seus textos sarcásticos garantem a ele um bom índice de visitação. Seu blog tem entre 700 e 800 acessos por dia – tanto quanto seus dois romances, somados, venderam até hoje. "Tem gente que fica indignada porque critico as cotas raciais nas universidades e falo mal da literatura brasileira. Mas eu adoro provocar", diz. • NOME: Alexandre Soares Silva
• ENDEREÇO: soaressilva.wunderblogs.com
• CRIADOR: o próprio
• O QUE É: blog cultural
• O QUE FEZ: tradutor e escritor sem projeção, conquistou seu lugar ao sol com uma página em que fala de literatura e outros temas. Num único dia, tem cerca de 800 visitas – tanto quanto seus dois romances, somados, venderam até hoje.
domingo, maio 22, 2005
This is Such a Pity
(Weezer)
How is your heart little darling?
I didn't mean to get so mad.
Let me just hold you closely.
How did things get so bad?
I know how to pick on you.
You pushed me over the edge.
We caused so much agony.
We can't seem to move ahead.
This is such a pity.
We should give all our love to each other.
Not this hate that destroys us.
This is such a pity.
(This is a pity)
What kind of future will we have?
Will we we ever find peace?
Everybody thinks we're crazy.
They're about to call the police.
I don't wanna be a chump.
You think I'm a fascist pig.
Right now everything is black.
I don't think we'll ever get it.
(Weezer)
How is your heart little darling?
I didn't mean to get so mad.
Let me just hold you closely.
How did things get so bad?
I know how to pick on you.
You pushed me over the edge.
We caused so much agony.
We can't seem to move ahead.
This is such a pity.
We should give all our love to each other.
Not this hate that destroys us.
This is such a pity.
(This is a pity)
What kind of future will we have?
Will we we ever find peace?
Everybody thinks we're crazy.
They're about to call the police.
I don't wanna be a chump.
You think I'm a fascist pig.
Right now everything is black.
I don't think we'll ever get it.
segunda-feira, maio 16, 2005
JOGO DO CURRÍCULO
Sou míope e não saio de casa sem minhas lentes de contato.
Detesto quem dirige com o braço para fora do carro.
Nunca quebrei nenhum osso do corpo.
Já entrevistei o Stênio Garcia.
Já andei de cavalo.
Aprendi a nadar sozinha.
Já furtei coisas de lojas.
Nunca casei. Mas moro com aquele que foi meu primeiro namorado. Estamos juntos há mais de 8 anos e temos uma linda filha.
Fui roubada nuam estação de trem em Frankfurt.
Fui num show do Nirvana, no Rio de Janeiro.
Já namorei por carta.
Já passei o thanksgiving nos Estados Unidos com americanos.
Já joguei moedas na Fonte de Trevi, Roma.
Passei no meu primeiro vestibular para Jornalismo e depois fiz vestibular para Letras sem estudar nada, passei e nunca me matriculei.
O cineasta Peter Greenaway passou pertinho de mim e depois assisti uma palestra dele no MAM.
Já viajei de trem de Chicago até Seattle.
Já fui à Roma, Paris, Londres, Berlin, Estocolmo, Oslo, Helsinki, Copenhagen, Mallorca, Berna...
Viajei de Natal para o Rio só para assistir o show do New Order.
Já pedi carona para estranhos quando estava na faculdade.
Já conheci o Grand Canyon.
Nunca esquiei ou fiz boneco de neve.
Nunca fiz tatuagem. Nem pretendo fazer.
Nunca pulei de pára-quedas. Nem pretendo.
Já cochilei no volante do carro.
Já fui na Leboy.
Já fumei maconha.
Já me decepcionei com as pessoas que mais amava. (e aposto que elas comigo)
Já fiquei com um cara uma noite e depois nunca mais soube dele.
Já me apaixonei por vários atores.
Já viajei no mesmo avião que o Eduardo Dusek.
Já pensei em fazer teatro mas além de ser tímida, não consigo sair da minha pele.
Já fui para no hospital depois de misturar whiskey com calmante. (Never More!!)
Sou míope e não saio de casa sem minhas lentes de contato.
Detesto quem dirige com o braço para fora do carro.
Nunca quebrei nenhum osso do corpo.
Já entrevistei o Stênio Garcia.
Já andei de cavalo.
Aprendi a nadar sozinha.
Já furtei coisas de lojas.
Nunca casei. Mas moro com aquele que foi meu primeiro namorado. Estamos juntos há mais de 8 anos e temos uma linda filha.
Fui roubada nuam estação de trem em Frankfurt.
Fui num show do Nirvana, no Rio de Janeiro.
Já namorei por carta.
Já passei o thanksgiving nos Estados Unidos com americanos.
Já joguei moedas na Fonte de Trevi, Roma.
Passei no meu primeiro vestibular para Jornalismo e depois fiz vestibular para Letras sem estudar nada, passei e nunca me matriculei.
O cineasta Peter Greenaway passou pertinho de mim e depois assisti uma palestra dele no MAM.
Já viajei de trem de Chicago até Seattle.
Já fui à Roma, Paris, Londres, Berlin, Estocolmo, Oslo, Helsinki, Copenhagen, Mallorca, Berna...
Viajei de Natal para o Rio só para assistir o show do New Order.
Já pedi carona para estranhos quando estava na faculdade.
Já conheci o Grand Canyon.
Nunca esquiei ou fiz boneco de neve.
Nunca fiz tatuagem. Nem pretendo fazer.
Nunca pulei de pára-quedas. Nem pretendo.
Já cochilei no volante do carro.
Já fui na Leboy.
Já fumei maconha.
Já me decepcionei com as pessoas que mais amava. (e aposto que elas comigo)
Já fiquei com um cara uma noite e depois nunca mais soube dele.
Já me apaixonei por vários atores.
Já viajei no mesmo avião que o Eduardo Dusek.
Já pensei em fazer teatro mas além de ser tímida, não consigo sair da minha pele.
Já fui para no hospital depois de misturar whiskey com calmante. (Never More!!)
My dreams are just like pages ripped from a book in which I have to develop the story.
Ontem, sonhei mas depois acho que acordei e passei a trabalhar a história na minha mente. De manhã havia apenas uma leve lembrança. Coisa de escritor frustrado.
Surviving the days, merely existing. I've spent my whole life trying to find out who I am and now I question myself: what have I done to my life? Because it doesn't make sense to me.
Ontem, sonhei mas depois acho que acordei e passei a trabalhar a história na minha mente. De manhã havia apenas uma leve lembrança. Coisa de escritor frustrado.
Surviving the days, merely existing. I've spent my whole life trying to find out who I am and now I question myself: what have I done to my life? Because it doesn't make sense to me.
sábado, maio 14, 2005
PINTOU A PALMA DE OURO?
Enviado por Jaime Biaggio - 14/5/2005
Acho até que ainda não. Mas pintou o primeiro grande filme de Cannes 2005: Caché, do austríaco Michael Haneke (Funny Games - Violência Gratuita, Código Desconhecido, A Professora de Piano, pra situar quem possa não conhecer).
Haneke sempre faz filmes barra-pesada, lúgubres (ultimamente pegou uma mania de iluminar as cenas de menos, tornando os personagens sombras engolidas pelo ambiente e pelas suas culpas). Ele começa no registro habitual, mexendo com signos de instabilidade social e paranóia urbana, como em Funny Games e Le Temps du Loup, exibido aqui em Cannes há dois anos e nunca lançado no Brasil. Essa é a trama-base (um intelectual famoso e bem-sucedido recebe na porta de casa vídeos inquietantes - sua casa, filmada da rua em frente; a casa de sua mãe, filmada de um carro que passa ali por perto; tudo sem qualquer explicação, mas sugerindo que quem os está enviando o conhece não é de hoje).O intelectual é Daniel Auteuil. A mulher dele é Juliette Binoche.
Só que o caminho que o filme toma a partir daí tem algo de novo. Não só pelos rumos abstratos que toma em termos de resolução da narrativa, mas por algo que ouso - é, ouso, já que Haneke é visto por muitos como um diretor que adora pintar o ser humano como um bicho abominável - chamar de um certo carinho, uma pregação em nome da conciliação de diferenças, estabelecida na surpreendente cena final. Não dá pra ser mais claro que isso, sorry. Assim como em Lemming, assim como em Match Point, contar demais, no caso de Caché, estraga. Ainda que, nesse caso, eu tema que o filme não seja comprado para o Brasil.
Mas, pra resumir, não sei se o Haneke detesta o ser humano, não. Acho que ele, isso sim, tem a exata noção do quanto esse bicho escroto pisa na bola com seus semelhantes. Sei bem o que é isso. Não gosto muito de gente (assim, no genérico). Desconfio de gente. Tenho mesmo um certo receio. Ok, às vezes desprezo um pouco mesmo. Mas sempre me pego, em dados momentos, percebendo em mim uma tolerância inesperada, uma vontade de pensar "tá bom, tá bom, vamos dar uma outra chance pra esse estrupício do ser humano". Capacidade de perdoar, resumindo. E senti isso nele dessa vez. Quase um pedido de "pega leve", de um bicho homem para os demais.
Match Point, o novo Woody Allen, é uma delícia e uma revelação. Que ele já soube fugir ocasionalmente ao molde habitual dos seus filmes, todos nós já sabíamos. A dúvida era se ainda sabia. Francamente, Woody Allen andou morto da virada do século pra cá. Começou a renascer com Igual a Tudo na Vida, que me deixou curioso pelo filme seguinte, Melinda & Melinda, que não consegui ver ainda (estréia por aí na próxima semana, acho). Esse é uma surpresa muito bem-vinda.
Enviado por Jaime Biaggio - 14/5/2005
Acho até que ainda não. Mas pintou o primeiro grande filme de Cannes 2005: Caché, do austríaco Michael Haneke (Funny Games - Violência Gratuita, Código Desconhecido, A Professora de Piano, pra situar quem possa não conhecer).
Haneke sempre faz filmes barra-pesada, lúgubres (ultimamente pegou uma mania de iluminar as cenas de menos, tornando os personagens sombras engolidas pelo ambiente e pelas suas culpas). Ele começa no registro habitual, mexendo com signos de instabilidade social e paranóia urbana, como em Funny Games e Le Temps du Loup, exibido aqui em Cannes há dois anos e nunca lançado no Brasil. Essa é a trama-base (um intelectual famoso e bem-sucedido recebe na porta de casa vídeos inquietantes - sua casa, filmada da rua em frente; a casa de sua mãe, filmada de um carro que passa ali por perto; tudo sem qualquer explicação, mas sugerindo que quem os está enviando o conhece não é de hoje).O intelectual é Daniel Auteuil. A mulher dele é Juliette Binoche.
Só que o caminho que o filme toma a partir daí tem algo de novo. Não só pelos rumos abstratos que toma em termos de resolução da narrativa, mas por algo que ouso - é, ouso, já que Haneke é visto por muitos como um diretor que adora pintar o ser humano como um bicho abominável - chamar de um certo carinho, uma pregação em nome da conciliação de diferenças, estabelecida na surpreendente cena final. Não dá pra ser mais claro que isso, sorry. Assim como em Lemming, assim como em Match Point, contar demais, no caso de Caché, estraga. Ainda que, nesse caso, eu tema que o filme não seja comprado para o Brasil.
Mas, pra resumir, não sei se o Haneke detesta o ser humano, não. Acho que ele, isso sim, tem a exata noção do quanto esse bicho escroto pisa na bola com seus semelhantes. Sei bem o que é isso. Não gosto muito de gente (assim, no genérico). Desconfio de gente. Tenho mesmo um certo receio. Ok, às vezes desprezo um pouco mesmo. Mas sempre me pego, em dados momentos, percebendo em mim uma tolerância inesperada, uma vontade de pensar "tá bom, tá bom, vamos dar uma outra chance pra esse estrupício do ser humano". Capacidade de perdoar, resumindo. E senti isso nele dessa vez. Quase um pedido de "pega leve", de um bicho homem para os demais.
Match Point, o novo Woody Allen, é uma delícia e uma revelação. Que ele já soube fugir ocasionalmente ao molde habitual dos seus filmes, todos nós já sabíamos. A dúvida era se ainda sabia. Francamente, Woody Allen andou morto da virada do século pra cá. Começou a renascer com Igual a Tudo na Vida, que me deixou curioso pelo filme seguinte, Melinda & Melinda, que não consegui ver ainda (estréia por aí na próxima semana, acho). Esse é uma surpresa muito bem-vinda.
quinta-feira, maio 12, 2005
11/05/2005 - O Globo on line
'A vingança dos Sith' encerra a saga de 'Guerra nas estrelas'
Jamari França
O sabre de luz dos Jedis vai se apagar ao final de "Episódio três - A vingança dos Sith'' e assim ficará por 19 anos até o começo do quarto episódio, "A nova esperança", conhecido por todos desde 1977 ( saiba tudo sobre os filmes anteriores ). Terminar uma história pelo meio e, ainda assim, faturar milhões é mais uma prova do gênio de George Lucas. No último final de semana, ele fez uma sessão no Rancho Skywalker, na Califórnia ( veja as imagens do filme ). Dia 12 haverá estréias em várias cidades americanas, dia 15, a première oficial no Festival de Cannes e, dia 19, entra finalmente em cartaz o fecho de uma série que já faturou US$ 3,5 bilhões e que, em algum momento ainda este ano, poderá ser vista de ponta a ponta no sofá da sala em uma maratona de 13 horas.
Jornalistas americanos contemplados com a sessão exclusiva no rancho de Lucas escreveram maravilhas sobre o episódio três, com a ressalva de ser o mais violento, incluindo cenas como o massacre de crianças na academia dos jedis por Anakin Skywalker (Hayden Christensen), alinhado ao lado sombrio da força pelos artifícios malévolos do chanceler Palpatine (Ian McDiarmid). Quem acompanha a saga já sabe o que vai acontecer neste terceiro episódio, só falta saber como. A senadora Padmé Amídala (Natalie Portman) não sobrevive ao nascimento dos gêmeos Luke e Leia. O jedi Obi Wan Kenobi (Ewan McGregor) corre perigos tremendos capazes de lhe custar a vida, mas escapa ileso para conduzir Luke na sua saga para redimir o pai do mal e levá-lo a cumprir a profecia de restaurar o equilíbrio da força.
Após o extermínio bem sucedido dos jedis, sobram apenas Obi Wan e o mestre Yoda. O primeiro se exila no planeta Tatooine sob o nome de Ben Kenobi para ficar como guardião de Luke, adotado pelo casal de fazendeiros Owen (Joel Edgerton) e Beru Lars (Bonnie Piesse). Yoda será derrotado numa batalha no planeta Kashyyyk, lar do gigante Chewbacca (Peter Mayhew), personagem da primeira trilogia, e se exilará no inóspito planeta Dagoba. Leia será entregue ao vice-rei da casa real de Organa, Bail Organa (Jimmy Smits), e levada para o planeta Alderaan, onde crescerá como princesa e, mais tarde, parlamentar no Senado imperial, além de líder rebelde.
Não quer saber o final do filme? Então, pare aqui
A guerra dos clones, iniciada no episódio anterior, está no 13º ano com derrotas das forças da república diante dos separatistas em vários sistemas sob a liderança sanguinária do Conde Dooku (Christopher Lee) e de um novo personagem, o general Grievous, um misto de ser orgânico e dróide responsável pelo massacre de milhões. Ele tem especial prazer em matar jedis, com a ajuda dos dróides Magnaguard, especialmente equipados com electrostaffs , bastões de energia capazes de rebater os golpes dos sabres de luz dos jedis e de atacarem com a velocidade da luz.
Num golpe ousado, Grievous lidera um comando ao planeta Coruscant, sede do governo da república, e seqüestra o chanceler Palpatine. A dupla Obi Wan e Anakin, responsáveis por várias façanhas heróicas na guerra, parte em dois caças estelares para resgatar o chanceler, missão bem sucedida em combates espetaculares e num duelo mortal com o Conde Dooku. Super confiante, Dooku consegue botar Obi Wan fora de combate, mas acaba morto por Skywalker, instigado por Palpatine que, na verdade, é o pérfido Darth Sidious, empenhado em destruir a República que governa. ''O ódio é sua arma. Ataque agora. Mate-o'', grita Palpatine/Sidious para Anakin. Dooku percebe que seu líder lhe preparou uma armadilha: ''a traição é da natureza dos sith,'' é seu último pensamento.
De volta ao comando do Senado, um agradecido Palpatine começa a longa doutrinação para transformar Anakin em seu braço direito no futuro império, retratado nos episódios "A nova esperança" (1977), "O império contra-ataca" (1980) e "O retorno do jedi" (1983).
Apesar de identificado como o jedi da profecia, Anakin tem defeitos que o impedem de ser sagrado mestre, como a ira, o amor por Padmé, o orgulho e a auto-confiança de ser o mais poderoso dos jedis. Como seus mestres dizem, tudo isso leva ao lado sombrio e é para lá que ele se encaminha gradualmente, movido especialmente por um sonho premonitório de que Padmé não sobreviveria ao parto.
Ele sonda Yoda a respeito, sem revelar sua união com a senadora, já que um jedi não pode se casar, mas ouve dele apenas a aceitação da morte como parte da vida. Além de solidário, Palpatine reforça as tendências anti-jedis de Anakin, que resiste às investidas até que o chanceler dá o golpe de misericórdia falando na existência de um poderoso sith, Darth Plagueis, que sabia como criar e manter a vida e que tinha sido seu mestre até ele matá-lo. Neste momento, Anakin saca seu sabre e acusa Palpatine de ser Darth Sidious. "Então devo matá-lo. Vou matá-lo," diz Anakin. Palpatine rebate: "Se eu morrer, meu conhecimento morre comigo. A menos que eu tenha a oportunidade de ensinar a meu aprendiz."
Abalado, Skywalker acaba no templo Jedi em agonia intensa pelo choque entre seus dois lados. Ele acaba dizendo ao mestre Mace Windu (Samuel L. Jackson) que Palpatine é Sidious, daí os jedis partem para cima do Chanceler. Anakin fica para trás, mas acaba indo ao gabinete de Palpatine, encontrando-o em luta com Mace. O chanceler finge ser mais fraco que seu oponente, Anakin pede que ele seja poupado, Mace diz que vai matá-lo. "Preciso dele vivo! Preciso dele para salvar Padmé," grita Anakin. E mata Mace.
Obi Wan mata Grievous num combate mortal no planeta Utapau. O confronto final entre Obi Wan e o agora renegado Anakin acontece no planeta vulcânico Mustafar, para onde Obi Wan vai com Padmé. Anakin acusa a senadora de traí-lo e a fere seriamente. Obi Wan o enfrenta e consegue derrubá-lo num poço de lava onde o corpo de Anakin pega fogo. Sidious o resgata e o coloca dentro de uma cápsula médica: "Viva, lorde Vader. Viva, meu aprendiz," diz Sidious. De lá, ele será levado para Coruscant, tratado e recebe o traje e o capacete negro, que todos conhecem, equipados para garantir sua sobrevivência. Mortalmente ferida, Padmé dá à luz gêmeos. Suas últimas palavras serão ouvidas novamente da boca de seu filho, Luke, no episódio final: "Obi Wan, o bem ainda existe nele. Eu sei que ainda existe..."
'A vingança dos Sith' encerra a saga de 'Guerra nas estrelas'
Jamari França
O sabre de luz dos Jedis vai se apagar ao final de "Episódio três - A vingança dos Sith'' e assim ficará por 19 anos até o começo do quarto episódio, "A nova esperança", conhecido por todos desde 1977 ( saiba tudo sobre os filmes anteriores ). Terminar uma história pelo meio e, ainda assim, faturar milhões é mais uma prova do gênio de George Lucas. No último final de semana, ele fez uma sessão no Rancho Skywalker, na Califórnia ( veja as imagens do filme ). Dia 12 haverá estréias em várias cidades americanas, dia 15, a première oficial no Festival de Cannes e, dia 19, entra finalmente em cartaz o fecho de uma série que já faturou US$ 3,5 bilhões e que, em algum momento ainda este ano, poderá ser vista de ponta a ponta no sofá da sala em uma maratona de 13 horas.
Jornalistas americanos contemplados com a sessão exclusiva no rancho de Lucas escreveram maravilhas sobre o episódio três, com a ressalva de ser o mais violento, incluindo cenas como o massacre de crianças na academia dos jedis por Anakin Skywalker (Hayden Christensen), alinhado ao lado sombrio da força pelos artifícios malévolos do chanceler Palpatine (Ian McDiarmid). Quem acompanha a saga já sabe o que vai acontecer neste terceiro episódio, só falta saber como. A senadora Padmé Amídala (Natalie Portman) não sobrevive ao nascimento dos gêmeos Luke e Leia. O jedi Obi Wan Kenobi (Ewan McGregor) corre perigos tremendos capazes de lhe custar a vida, mas escapa ileso para conduzir Luke na sua saga para redimir o pai do mal e levá-lo a cumprir a profecia de restaurar o equilíbrio da força.
Após o extermínio bem sucedido dos jedis, sobram apenas Obi Wan e o mestre Yoda. O primeiro se exila no planeta Tatooine sob o nome de Ben Kenobi para ficar como guardião de Luke, adotado pelo casal de fazendeiros Owen (Joel Edgerton) e Beru Lars (Bonnie Piesse). Yoda será derrotado numa batalha no planeta Kashyyyk, lar do gigante Chewbacca (Peter Mayhew), personagem da primeira trilogia, e se exilará no inóspito planeta Dagoba. Leia será entregue ao vice-rei da casa real de Organa, Bail Organa (Jimmy Smits), e levada para o planeta Alderaan, onde crescerá como princesa e, mais tarde, parlamentar no Senado imperial, além de líder rebelde.
Não quer saber o final do filme? Então, pare aqui
A guerra dos clones, iniciada no episódio anterior, está no 13º ano com derrotas das forças da república diante dos separatistas em vários sistemas sob a liderança sanguinária do Conde Dooku (Christopher Lee) e de um novo personagem, o general Grievous, um misto de ser orgânico e dróide responsável pelo massacre de milhões. Ele tem especial prazer em matar jedis, com a ajuda dos dróides Magnaguard, especialmente equipados com electrostaffs , bastões de energia capazes de rebater os golpes dos sabres de luz dos jedis e de atacarem com a velocidade da luz.
Num golpe ousado, Grievous lidera um comando ao planeta Coruscant, sede do governo da república, e seqüestra o chanceler Palpatine. A dupla Obi Wan e Anakin, responsáveis por várias façanhas heróicas na guerra, parte em dois caças estelares para resgatar o chanceler, missão bem sucedida em combates espetaculares e num duelo mortal com o Conde Dooku. Super confiante, Dooku consegue botar Obi Wan fora de combate, mas acaba morto por Skywalker, instigado por Palpatine que, na verdade, é o pérfido Darth Sidious, empenhado em destruir a República que governa. ''O ódio é sua arma. Ataque agora. Mate-o'', grita Palpatine/Sidious para Anakin. Dooku percebe que seu líder lhe preparou uma armadilha: ''a traição é da natureza dos sith,'' é seu último pensamento.
De volta ao comando do Senado, um agradecido Palpatine começa a longa doutrinação para transformar Anakin em seu braço direito no futuro império, retratado nos episódios "A nova esperança" (1977), "O império contra-ataca" (1980) e "O retorno do jedi" (1983).
Apesar de identificado como o jedi da profecia, Anakin tem defeitos que o impedem de ser sagrado mestre, como a ira, o amor por Padmé, o orgulho e a auto-confiança de ser o mais poderoso dos jedis. Como seus mestres dizem, tudo isso leva ao lado sombrio e é para lá que ele se encaminha gradualmente, movido especialmente por um sonho premonitório de que Padmé não sobreviveria ao parto.
Ele sonda Yoda a respeito, sem revelar sua união com a senadora, já que um jedi não pode se casar, mas ouve dele apenas a aceitação da morte como parte da vida. Além de solidário, Palpatine reforça as tendências anti-jedis de Anakin, que resiste às investidas até que o chanceler dá o golpe de misericórdia falando na existência de um poderoso sith, Darth Plagueis, que sabia como criar e manter a vida e que tinha sido seu mestre até ele matá-lo. Neste momento, Anakin saca seu sabre e acusa Palpatine de ser Darth Sidious. "Então devo matá-lo. Vou matá-lo," diz Anakin. Palpatine rebate: "Se eu morrer, meu conhecimento morre comigo. A menos que eu tenha a oportunidade de ensinar a meu aprendiz."
Abalado, Skywalker acaba no templo Jedi em agonia intensa pelo choque entre seus dois lados. Ele acaba dizendo ao mestre Mace Windu (Samuel L. Jackson) que Palpatine é Sidious, daí os jedis partem para cima do Chanceler. Anakin fica para trás, mas acaba indo ao gabinete de Palpatine, encontrando-o em luta com Mace. O chanceler finge ser mais fraco que seu oponente, Anakin pede que ele seja poupado, Mace diz que vai matá-lo. "Preciso dele vivo! Preciso dele para salvar Padmé," grita Anakin. E mata Mace.
Obi Wan mata Grievous num combate mortal no planeta Utapau. O confronto final entre Obi Wan e o agora renegado Anakin acontece no planeta vulcânico Mustafar, para onde Obi Wan vai com Padmé. Anakin acusa a senadora de traí-lo e a fere seriamente. Obi Wan o enfrenta e consegue derrubá-lo num poço de lava onde o corpo de Anakin pega fogo. Sidious o resgata e o coloca dentro de uma cápsula médica: "Viva, lorde Vader. Viva, meu aprendiz," diz Sidious. De lá, ele será levado para Coruscant, tratado e recebe o traje e o capacete negro, que todos conhecem, equipados para garantir sua sobrevivência. Mortalmente ferida, Padmé dá à luz gêmeos. Suas últimas palavras serão ouvidas novamente da boca de seu filho, Luke, no episódio final: "Obi Wan, o bem ainda existe nele. Eu sei que ainda existe..."
quinta-feira, maio 05, 2005
TV on the Radio - Staring at the sun
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Cross the street from your storefront cemetery
Hear me hailing from inside and realize
I am the conscience clear
In pain or ecstasy
And we were all weaned my dear
Upon the same fatigue
(You're staring at the sun)
Oh my own voice
Cannot save me now
It's just
(standing in the sea)
One more breath
And then
I go down
Your mouth is open wide
The lover is inside
And all the tumults done
Collided with the sign
You're staring at the sun
You're standing in the sea
Your body's over me
Note the trees because
The dirt is temporary
More to mine than fact face
Name and monetary
Beat the skins and let the
Loose lips kiss you clean
Quietly pour out like light
Like light, like answering the sun
You're staring at the sun
You're standing in the sea
Your mouth is open wide
You're trying hard to breathe
The water's at your neck
Your body's over me
Be what you will
And then throw down your life
Oh it's a damned fine game
And we can play all night
You're staring at the sun
You're standing in the sea...
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Cross the street from your storefront cemetery
Hear me hailing from inside and realize
I am the conscience clear
In pain or ecstasy
And we were all weaned my dear
Upon the same fatigue
(You're staring at the sun)
Oh my own voice
Cannot save me now
It's just
(standing in the sea)
One more breath
And then
I go down
Your mouth is open wide
The lover is inside
And all the tumults done
Collided with the sign
You're staring at the sun
You're standing in the sea
Your body's over me
Note the trees because
The dirt is temporary
More to mine than fact face
Name and monetary
Beat the skins and let the
Loose lips kiss you clean
Quietly pour out like light
Like light, like answering the sun
You're staring at the sun
You're standing in the sea
Your mouth is open wide
You're trying hard to breathe
The water's at your neck
Your body's over me
Be what you will
And then throw down your life
Oh it's a damned fine game
And we can play all night
You're staring at the sun
You're standing in the sea...
My japanese name is 中村 Nakamura (center of the village) 美晴 Miharu (beautiful clear sky).
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sábado, abril 30, 2005
Literatura de paixão, sombras e luz
Marcelo Moutinho
Caio 3D — O essencial da década de 1970, de Caio Fernando Abreu.
Editora Agir, 360 páginas. R$ 49,90
receber a folha com o resultado do exame a que se submetera, e onde em letras geladas constava a palavra “positivo”, Caio Fernando Abreu talvez não imaginasse que ali estava, mais do que o prenúncio de morte, o início de uma completa reviravolta em seu modo de ver o mundo — e de escrevê-lo. Diante da perspectiva do confronto iminente com o fim, o sol negro que até então semeara melancolia em sua obra se tornaria claridade pura, intensa, regeneradora. Tal mudança, flagrante nas crônicas a que se dedicou nos últimos anos e nas cartas remetidas a amigos e parentes, transpareceria de forma ainda mais concreta no olhar que passou a legar aos escritos passados, nos quais chegou a promover alterações. A mais visível delas, decerto, a tênue (mas significativa) adição de um hífen no título de “Inventário do irremediável”, seu primeiro livro de contos. Na revisão feita 25 anos depois do lançamento original, de 1970, Caio transformou a fatalidade daquele “irremediável” num “ir-remediável” — que pode ser reparado. Esta segunda grafia foi mantida pela Editora Agir na coletânea “Caio 3D — O essencial da década de 1970”, que republica o trabalho de estréia do autor ao lado de contos dispersos e inéditos, poemas, correspondências e depoimentos, numa seleta que se centra sobre sua produção intelectual entre 1970 e 1980. O livro é o ponto de partida de uma série que contará ainda com volumes sobre os anos 80 e 90. Além disso, marca o início do relançamento, pela própria Agir, da obra completa de Caio, numa bem-vinda iniciativa que possibilitará ao leitor acompanhar, livro a livro, o desenrolar da carreira daquele a quem Lygia Fagundes Telles chamava de “escritor da paixão”. De títulos célebres, como “Onde andará Dulce Veiga?” e “Morangos mofados”, a trabalhos menos conhecidos, casos de “Limite branco” e do compêndio de crônicas “Pequenas epifanias”. Livro também investiga a solidão O primeiro volume da coleção “Caio 3D” evidencia a influência ainda excessiva de Clarice Lispector, mas já contempla questões que se firmariam como grandes obsessões do autor. Estão presentes o flerte com o fantástico, que alcançaria graus máximos em contos como “Mergulho I”, de “Pedras de Calcutá”, e as recorrentes referências à astrologia, que seriam levadas ao paroxismo em “Triângulo das águas”, cujas três novelas relacionam-se com os arquétipos dos signos de peixes, escorpião e câncer. O livro investiga também a solidão, que na literatura de Caio aparece menos como uma condição permanente, e mais como uma espécie de hiato entre dois amores — o que se foi e o que virá. Tal traço é explicitado, por exemplo, no conto “Itinerário”: “Por entre essa infinidade de formas (...); por entre esse amontoado de lembranças feitas de imagens incompletas como retratos rasgados; por entre essa idéia à qual faltam braços, pernas, cabeças (...); eu busco. Sem encontrar”. Há ainda uma ânsia quase desesperada por paixão, “com a consciência dolorosa de que ela importa mais do que seu objeto”, como anota Maria Adelaide Amaral no prefácio, em observação que pode ser sintetizada numa frase do belo “Anotações de um amor urbano”. O narrador, abalado pelo rompimento, assevera: “Amanhã não desisto: e te procuro em outro corpo, juro que um dia te encontro.”
Poema 'Alento'
“QUANDO MAIS NADA HOUVER, eu me erguerei cantando, saudando a vida com meu corpo de cavalo jovem. E numa louca corrida entregarei meu ser ao ser do Tempo e a minha voz à doce voz do vento. Despojado do que já não há solto no vazio do que ainda não veio, minha boca cantará cantos de alívio pelo que se foi, cantos de espera pelo que há de vir.”
Trecho do conto 'Aniversário':
“HAVIA ESPERADO DURANTE TODO O DIA. O QUÊ? nem ele próprio saberia dizer. Acordara já com a fatalidade da espera colocando um brilho triste nos olhos. E o projetara sobre a mãe, primeira pessoa a abraçá-lo, que recuou um pouco ofendida. O mesmo recuo sentira estender-se às outras pessoas, à medida em que o abraçavam e felicitavam. Examinara-se ansioso ao espelho, tentando descobrir se o ano a mais também lhe colocara uma ferocidade a mais ou um novo espanto no rosto. Mas não. Nada. Lá estavam as mesmas feições um pouco vagas, o ar exato de quem espera alguma coisa. E contudo, nesse dia, ele esperava mesmo. A espera abstrata cedera lugar à outra — concreta. Ajeitara o rosto da melhor maneira possível, como se o sentimento novo (e no entanto tão antigo) fosse algo a esconder. Porque ele não queria surpreender nem chocar nem ferir. Pertencia àquela estranha espécie de pessoas que flutuam pelo mundo, sutis, evitando esbarrar em qualquer coisa. Não se sabia se procedia assim por simples delicadeza ou para defender-se. O fato é que era assim. E, portanto, desagradava-lhe aquele jeito de espera gritando alto no corpo inteiro.”
Um clima soturno paira sobre “Caio 3D”, em especial sobre seus personagens, sempre às voltas com o entrave do não-pertencimento, da inadequação. “Eu tinha qualquer coisa como andar de costas, quando todos andam de frente. Qualquer coisa como gritar, quando todos calam. Qualquer coisa que ofendia os outros, que não era a mesma deles e fazia com que me olhassem vermelhos, os dentes rasgando as coisas, eu doía neles como se fosse ácido, espinho, caco de vidro”, confessa, lamentoso, o protagonista de “O mar mais longe que eu vejo”.
Frente a frente com a morte, que o levaria em 1996, aos 48 anos, decidiu plantar rosas e viver cada dia “arrancando das coisas, com as unhas, uma modesta alegria”. Talvez já tivesse então desvendado, através da literatura mas sobretudo da vida, o segredo da árvore mágica que, apesar de fincada num terreno taciturno e sombrio, encanta o protagonista do conto “Caixinha de música”: extrair do emaranhado de dor, angústia fria e solidão escura a beleza a ser lançada para fora.
Marcelo Moutinho
Caio 3D — O essencial da década de 1970, de Caio Fernando Abreu.
Editora Agir, 360 páginas. R$ 49,90
receber a folha com o resultado do exame a que se submetera, e onde em letras geladas constava a palavra “positivo”, Caio Fernando Abreu talvez não imaginasse que ali estava, mais do que o prenúncio de morte, o início de uma completa reviravolta em seu modo de ver o mundo — e de escrevê-lo. Diante da perspectiva do confronto iminente com o fim, o sol negro que até então semeara melancolia em sua obra se tornaria claridade pura, intensa, regeneradora. Tal mudança, flagrante nas crônicas a que se dedicou nos últimos anos e nas cartas remetidas a amigos e parentes, transpareceria de forma ainda mais concreta no olhar que passou a legar aos escritos passados, nos quais chegou a promover alterações. A mais visível delas, decerto, a tênue (mas significativa) adição de um hífen no título de “Inventário do irremediável”, seu primeiro livro de contos. Na revisão feita 25 anos depois do lançamento original, de 1970, Caio transformou a fatalidade daquele “irremediável” num “ir-remediável” — que pode ser reparado. Esta segunda grafia foi mantida pela Editora Agir na coletânea “Caio 3D — O essencial da década de 1970”, que republica o trabalho de estréia do autor ao lado de contos dispersos e inéditos, poemas, correspondências e depoimentos, numa seleta que se centra sobre sua produção intelectual entre 1970 e 1980. O livro é o ponto de partida de uma série que contará ainda com volumes sobre os anos 80 e 90. Além disso, marca o início do relançamento, pela própria Agir, da obra completa de Caio, numa bem-vinda iniciativa que possibilitará ao leitor acompanhar, livro a livro, o desenrolar da carreira daquele a quem Lygia Fagundes Telles chamava de “escritor da paixão”. De títulos célebres, como “Onde andará Dulce Veiga?” e “Morangos mofados”, a trabalhos menos conhecidos, casos de “Limite branco” e do compêndio de crônicas “Pequenas epifanias”. Livro também investiga a solidão O primeiro volume da coleção “Caio 3D” evidencia a influência ainda excessiva de Clarice Lispector, mas já contempla questões que se firmariam como grandes obsessões do autor. Estão presentes o flerte com o fantástico, que alcançaria graus máximos em contos como “Mergulho I”, de “Pedras de Calcutá”, e as recorrentes referências à astrologia, que seriam levadas ao paroxismo em “Triângulo das águas”, cujas três novelas relacionam-se com os arquétipos dos signos de peixes, escorpião e câncer. O livro investiga também a solidão, que na literatura de Caio aparece menos como uma condição permanente, e mais como uma espécie de hiato entre dois amores — o que se foi e o que virá. Tal traço é explicitado, por exemplo, no conto “Itinerário”: “Por entre essa infinidade de formas (...); por entre esse amontoado de lembranças feitas de imagens incompletas como retratos rasgados; por entre essa idéia à qual faltam braços, pernas, cabeças (...); eu busco. Sem encontrar”. Há ainda uma ânsia quase desesperada por paixão, “com a consciência dolorosa de que ela importa mais do que seu objeto”, como anota Maria Adelaide Amaral no prefácio, em observação que pode ser sintetizada numa frase do belo “Anotações de um amor urbano”. O narrador, abalado pelo rompimento, assevera: “Amanhã não desisto: e te procuro em outro corpo, juro que um dia te encontro.”
Poema 'Alento'
“QUANDO MAIS NADA HOUVER, eu me erguerei cantando, saudando a vida com meu corpo de cavalo jovem. E numa louca corrida entregarei meu ser ao ser do Tempo e a minha voz à doce voz do vento. Despojado do que já não há solto no vazio do que ainda não veio, minha boca cantará cantos de alívio pelo que se foi, cantos de espera pelo que há de vir.”
Trecho do conto 'Aniversário':
“HAVIA ESPERADO DURANTE TODO O DIA. O QUÊ? nem ele próprio saberia dizer. Acordara já com a fatalidade da espera colocando um brilho triste nos olhos. E o projetara sobre a mãe, primeira pessoa a abraçá-lo, que recuou um pouco ofendida. O mesmo recuo sentira estender-se às outras pessoas, à medida em que o abraçavam e felicitavam. Examinara-se ansioso ao espelho, tentando descobrir se o ano a mais também lhe colocara uma ferocidade a mais ou um novo espanto no rosto. Mas não. Nada. Lá estavam as mesmas feições um pouco vagas, o ar exato de quem espera alguma coisa. E contudo, nesse dia, ele esperava mesmo. A espera abstrata cedera lugar à outra — concreta. Ajeitara o rosto da melhor maneira possível, como se o sentimento novo (e no entanto tão antigo) fosse algo a esconder. Porque ele não queria surpreender nem chocar nem ferir. Pertencia àquela estranha espécie de pessoas que flutuam pelo mundo, sutis, evitando esbarrar em qualquer coisa. Não se sabia se procedia assim por simples delicadeza ou para defender-se. O fato é que era assim. E, portanto, desagradava-lhe aquele jeito de espera gritando alto no corpo inteiro.”
Um clima soturno paira sobre “Caio 3D”, em especial sobre seus personagens, sempre às voltas com o entrave do não-pertencimento, da inadequação. “Eu tinha qualquer coisa como andar de costas, quando todos andam de frente. Qualquer coisa como gritar, quando todos calam. Qualquer coisa que ofendia os outros, que não era a mesma deles e fazia com que me olhassem vermelhos, os dentes rasgando as coisas, eu doía neles como se fosse ácido, espinho, caco de vidro”, confessa, lamentoso, o protagonista de “O mar mais longe que eu vejo”.
Frente a frente com a morte, que o levaria em 1996, aos 48 anos, decidiu plantar rosas e viver cada dia “arrancando das coisas, com as unhas, uma modesta alegria”. Talvez já tivesse então desvendado, através da literatura mas sobretudo da vida, o segredo da árvore mágica que, apesar de fincada num terreno taciturno e sombrio, encanta o protagonista do conto “Caixinha de música”: extrair do emaranhado de dor, angústia fria e solidão escura a beleza a ser lançada para fora.
segunda-feira, abril 25, 2005
Como fazer e como baixar podcasts
PARA BAIXAR: A boa notícia é que qualquer tocador de música digital pode baixar podcasts, desde que, claro, seja compatível com arquivos MP3. Na interface com a internet, será necessário assinar também um serviço de leitura de podcast, como o iPodder, que também é capaz de entender RSS e funciona tanto em Windows quanto em Mac ou Linux. Quem quiser também pode instalar o iTunes , da Apple, que também “traduz” podcasts e está disponível para Macintosh e Windows. Depois, basta adicionar a URL do conteúdo que deseja baixar no iPodder e marcar horário (através da opção Schedule). Para ter acesso a todo tipo de conteúdo, vale passar com freqüência pelo diretório de sua ferramenta que agrega podcasts, seja ela iPodder ou iTunes ou outra qualquer. É que elas listam conteúdos conforme seus administradores sejam avisados pelos autores. Outra opção para buscar podcasts é o Podfeeder — disponível em . É gratuito. Quem quiser ouvir podcasts usando o Windows Media Player precisa baixar o plug-in Doppler, em . Também freeware. Para baixar os programas para o Player, é só sincronizá-lo com o PC e transferir normalmente os arquivos em MP3. PARA FAZER: Basta um micro legal, um microfone na mão, vocação para falar, um programa que converta arquivos para MP3 e, claro, um servidor onde pendurar os arquivos. Qualquer programa pode ser usado para mixar o som. Mas vale lembrar que se este não for de boa qualidade, ninguém vai querer baixar. Depois de criar um arquivo de áudio, o podcaster adiciona um hiperlink de RSS. O último passo é inscrever em um agregador de podcasts ( EM ).
Eva decidiu gravar um podcast em casa, usando um programa chamado Cubase. Tendo um microfone em mãos, “mandou ver”, como diz. Gravou o programa de rádio no micro, passou para MP3 e ofereceu em seu site de graça para quem quiser ouvir. Para garantir audiência, Eva recorreu ao site oficial dos podcasters do mundo: o Ipodder para que veiculassem o programa/canal através do diretório geral do Ipodder, espécie de programa organizador/agregador de podcasts.
Tanto sucesso pode ser creditado a algumas características que fazem toda a diferença: Podcast é um rádio que não é ao vivo, qualquer um pode fazer e, melhor, todos podem ouvir, já que o alcance é o mesmo oferecido pela rede mundial de computadores.
PARA BAIXAR: A boa notícia é que qualquer tocador de música digital pode baixar podcasts, desde que, claro, seja compatível com arquivos MP3. Na interface com a internet, será necessário assinar também um serviço de leitura de podcast, como o iPodder
Eva decidiu gravar um podcast em casa, usando um programa chamado Cubase. Tendo um microfone em mãos, “mandou ver”, como diz. Gravou o programa de rádio no micro, passou para MP3 e ofereceu em seu site
Tanto sucesso pode ser creditado a algumas características que fazem toda a diferença: Podcast é um rádio que não é ao vivo, qualquer um pode fazer e, melhor, todos podem ouvir, já que o alcance é o mesmo oferecido pela rede mundial de computadores.
terça-feira, abril 12, 2005
Essa nova banda nem lançou seu primeiro disco e já está dando o que falar: Editors
The timeless ‘Bullets’, by Birmingham’s Editors, sounds like it was recorded in the past (probably about 1979) yet also sounds thoroughly 21st century.
Editors join the love-as-a-disease metaphor to a big important sounding production with lots of heart rending chiming guitars. ‘Bullets’ sounds like it can only be played by earnest looking men in big raincoats a la Echo & The Bunnymen at their finest yet retains a classic pop suss.
Mention must also be made of ‘You Are Fading’, a flag waving, mini epic that lyrically says absolutely nothing at all yet musically sounds fucking fantastic. Plus, and I do hope one of the ‘Match Of The Day’ producers are reading this, ‘You Are Fading’ would sound great set to football.
Also, it’s telling that Editors have chosen a relaunched Kitchenware as their home. This Newcastle based label was for a time during the 80s seen as a benchmark of quality being home to at one time or another Fatima Mansions, Martin Stephenson And The Daintees, and, er, Prefab Sprout. There’s no reason why Editors can’t put Kitchenware, and indeed themselves, firmly back on the musical map.(Drowned in Sound)
Okay, let's get it out of the way first. Editors singer Tom Smith has a baritone voice and will thus be compared to Paul Banks or, if he's very lucky, Ian Curtis. Their music is gloomy, romantic and urgent, making comparisons with either singer's respective band inevitable.
But it doesn't matter who you sound like as long as you're good, and here is their second great single. Following on from the success of 'Bullets', a spine-chilling guitar riff introduces 'Munich' to the world. Smith's lyrics are just as foreboding. "I'm so glad I found this" he claims, but you get the feeling he might be lying.
"It breaks when you force it / it breaks if you don't try" he ponders a little later, seemingly recommending a compromise between the two extremes. There's nothing middle of the road about this song, though; to my ears it's one of the best 2005 has offered thus far. Editors: Bullets
Birmingham’s Editors have been compared to Echo & The Bunnymen or - sigh, how obvious? - Joy Division. Don’t be fooled. Sure, Editors have their earnest side but these are not gloomy men moping about in long coats. No sir.
Just check out the awesome ‘You Are Fading’, the B-side to brilliant recent single ‘Bullets’. This song - a B-side let's not forget - says it all about Editors, namely that they’re a supremely confident band capable of writing songs stuffed full of ambition, hope, and romance. That said songs sound fantastic too seems merely an afterthought.
Not only that but anyone who supports Nottingham Forest – that would be guitarist Chris Urbanowicz then – must have a sense of humour!
DiS caught up with the Forest-flag waving guitarist via the interweb to have a chat about those Joy Division comparisons, why Editors chose to work with Elbow’s Guy Garvey - and indeed UNKLE producer Jim Abbiss, - what we can expect from forthcoming single ‘Munich’, and how crisps and fizzy orange are the perfect tonic for good health.
How did Editors get together?
We were all on the same course at University. Ed and myself lived together in halls and the other two joined us for the the last two years. That makes about four years living together.
How would you describe your new single 'Munich'? What's it all about? Have you ever been to Munich?
Lyrically, ‘Munich’ suggests a fragility in people. We generally like to theme a song and let the listener take it where they feel it should go.
As a song, it's easier to stomach than Bullets which was very angular and a bit difficult. It was one of the first songs we did that had a proper groove and it really helped mould our sound. We recorded it at Christmas time and are really happy with the version we're putting out even though its slightly structurally different to its live moniker.
I've never been to Munich. Obviously, we wanted to do the video there so we could get a free holiday but surprisingly we weren't allowed. Bastards.
The timeless ‘Bullets’, by Birmingham’s Editors, sounds like it was recorded in the past (probably about 1979) yet also sounds thoroughly 21st century.
Editors join the love-as-a-disease metaphor to a big important sounding production with lots of heart rending chiming guitars. ‘Bullets’ sounds like it can only be played by earnest looking men in big raincoats a la Echo & The Bunnymen at their finest yet retains a classic pop suss.
Mention must also be made of ‘You Are Fading’, a flag waving, mini epic that lyrically says absolutely nothing at all yet musically sounds fucking fantastic. Plus, and I do hope one of the ‘Match Of The Day’ producers are reading this, ‘You Are Fading’ would sound great set to football.
Also, it’s telling that Editors have chosen a relaunched Kitchenware as their home. This Newcastle based label was for a time during the 80s seen as a benchmark of quality being home to at one time or another Fatima Mansions, Martin Stephenson And The Daintees, and, er, Prefab Sprout. There’s no reason why Editors can’t put Kitchenware, and indeed themselves, firmly back on the musical map.(Drowned in Sound)
Okay, let's get it out of the way first. Editors singer Tom Smith has a baritone voice and will thus be compared to Paul Banks or, if he's very lucky, Ian Curtis. Their music is gloomy, romantic and urgent, making comparisons with either singer's respective band inevitable.
But it doesn't matter who you sound like as long as you're good, and here is their second great single. Following on from the success of 'Bullets', a spine-chilling guitar riff introduces 'Munich' to the world. Smith's lyrics are just as foreboding. "I'm so glad I found this" he claims, but you get the feeling he might be lying.
"It breaks when you force it / it breaks if you don't try" he ponders a little later, seemingly recommending a compromise between the two extremes. There's nothing middle of the road about this song, though; to my ears it's one of the best 2005 has offered thus far. Editors: Bullets
Birmingham’s Editors have been compared to Echo & The Bunnymen or - sigh, how obvious? - Joy Division. Don’t be fooled. Sure, Editors have their earnest side but these are not gloomy men moping about in long coats. No sir.
Just check out the awesome ‘You Are Fading’, the B-side to brilliant recent single ‘Bullets’. This song - a B-side let's not forget - says it all about Editors, namely that they’re a supremely confident band capable of writing songs stuffed full of ambition, hope, and romance. That said songs sound fantastic too seems merely an afterthought.
Not only that but anyone who supports Nottingham Forest – that would be guitarist Chris Urbanowicz then – must have a sense of humour!
DiS caught up with the Forest-flag waving guitarist via the interweb to have a chat about those Joy Division comparisons, why Editors chose to work with Elbow’s Guy Garvey - and indeed UNKLE producer Jim Abbiss, - what we can expect from forthcoming single ‘Munich’, and how crisps and fizzy orange are the perfect tonic for good health.
How did Editors get together?
We were all on the same course at University. Ed and myself lived together in halls and the other two joined us for the the last two years. That makes about four years living together.
How would you describe your new single 'Munich'? What's it all about? Have you ever been to Munich?
Lyrically, ‘Munich’ suggests a fragility in people. We generally like to theme a song and let the listener take it where they feel it should go.
As a song, it's easier to stomach than Bullets which was very angular and a bit difficult. It was one of the first songs we did that had a proper groove and it really helped mould our sound. We recorded it at Christmas time and are really happy with the version we're putting out even though its slightly structurally different to its live moniker.
I've never been to Munich. Obviously, we wanted to do the video there so we could get a free holiday but surprisingly we weren't allowed. Bastards.
domingo, abril 03, 2005
"Sin City" revoluciona adaptação de HQs
SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S. Paulo, na Califórnia
"Sin City" é um marco. A cada punhado de anos, Hollywood produz um filme-marco, que influenciará os próximos títulos do gênero e será imitado à exaustão. Para ficar apenas nas décadas recentes, "Guerra nas Estrelas" inventou o blockbuster de verão baseado em efeitos especiais, "Blade Runner" mudou a ficção científica, "Pulp Fiction" reinventou a estrutura do roteiro, "A Bruxa de Blair" redefiniu o conceito de terror e "Matrix" juntou tudo isso e foi além. Agora, é a vez de "Sin City", que estréia nesta sexta nos EUA e chega em maio ao Brasil.
O filme, baseado em três episódios da série de graphic novel homônima, de autoria de Frank Miller, revoluciona a maneira como histórias em quadrinhos são adaptadas para as telas. De "Batman" (1989) a "Spider-Man 2" (2004), o que houve até agora foi um avanço no uso dos efeitos especiais a serviço do cinema. "Sin City" muda a linguagem. Seu trajeto, do primeiro quadrinho, desenhado no início dos anos 90, à obra pronta, mostrada a jornalistas do mundo todo no último domingo, vale a pena ser recontado.
Desde que juntou um bando de amigos, recolheu US$ 7 mil e fez "El Mariachi", em 1993, o texano Robert Rodriguez pensava em adaptar "Sin City" para o cinema. Ele não estava sozinho: se Will Eisner (1917-2005) inventou o conceito de "graphic novel" (linguagem cinematográfica aplicada à narração em quadrinhos) em 1978, com seu "Contrato com Deus", Frank Miller, 48, o levou às últimas conseqüências e virou objeto de cobiça dos estúdios.
Primeiro, ao tornar Batman de novo um super-herói, com a série "O Cavaleiro das Trevas", de 1986, que enterrou de vez o aspecto ridículo que tinha colado no personagem pela telessérie cômica dos anos 60. Segundo, por esta série de histórias que se passam numa cidade fictícia, que leva o slogan oficial de Las Vegas ("sin city", cidade do pecado), tem como nome completo Basin City (cidade do buraco), mas se parece muito com Manhattan, São Paulo e outras megaconcentrações urbanas.
O tempo é hoje, embora o clima seja dos romances e filmes noir dos anos 30 e 40, com seus "tiras", governantes e líderes religiosos corruptos, femmes fatales de coração mole e detetives particulares com ética inabalável. E violência, muita violência, decalitros de sangue, quilômetros de membros decepados, quilos de balas.
No dia do encontro com Miller, num bar, Rodriguez abriu seu laptop e falou: "Eu fiz isso". "Mas isso é literalmente minha HQ, quadro por quadro, como você conseguiu colocá-la em movimento?", espantou-se o autor. Nascia ali "Sin City", o filme.
Logo, os dois escolheram as três histórias que seriam adaptadas e como amarrá-las. Rodriguez fez questão de que Miller fosse co-diretor, o que o obrigou a se desligar do sindicato de diretores dos EUA, que proíbe tal prática. "Eu queria que ele estivesse lá para garantir que cada seqüência, cada cena, fosse fiel ao quadro que desenhou e que nunca perdêssemos este conceito de HQ em movimento", disse. Para complicar ainda mais a sua situação sindical, criou a categoria de "diretor especialmente convidado" para seu amigo Quentin Tarantino, que pilota uma das cenas mais violentas e cômicas do longa.
SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S. Paulo, na Califórnia
"Sin City" é um marco. A cada punhado de anos, Hollywood produz um filme-marco, que influenciará os próximos títulos do gênero e será imitado à exaustão. Para ficar apenas nas décadas recentes, "Guerra nas Estrelas" inventou o blockbuster de verão baseado em efeitos especiais, "Blade Runner" mudou a ficção científica, "Pulp Fiction" reinventou a estrutura do roteiro, "A Bruxa de Blair" redefiniu o conceito de terror e "Matrix" juntou tudo isso e foi além. Agora, é a vez de "Sin City", que estréia nesta sexta nos EUA e chega em maio ao Brasil.
O filme, baseado em três episódios da série de graphic novel homônima, de autoria de Frank Miller, revoluciona a maneira como histórias em quadrinhos são adaptadas para as telas. De "Batman" (1989) a "Spider-Man 2" (2004), o que houve até agora foi um avanço no uso dos efeitos especiais a serviço do cinema. "Sin City" muda a linguagem. Seu trajeto, do primeiro quadrinho, desenhado no início dos anos 90, à obra pronta, mostrada a jornalistas do mundo todo no último domingo, vale a pena ser recontado.
Desde que juntou um bando de amigos, recolheu US$ 7 mil e fez "El Mariachi", em 1993, o texano Robert Rodriguez pensava em adaptar "Sin City" para o cinema. Ele não estava sozinho: se Will Eisner (1917-2005) inventou o conceito de "graphic novel" (linguagem cinematográfica aplicada à narração em quadrinhos) em 1978, com seu "Contrato com Deus", Frank Miller, 48, o levou às últimas conseqüências e virou objeto de cobiça dos estúdios.
Primeiro, ao tornar Batman de novo um super-herói, com a série "O Cavaleiro das Trevas", de 1986, que enterrou de vez o aspecto ridículo que tinha colado no personagem pela telessérie cômica dos anos 60. Segundo, por esta série de histórias que se passam numa cidade fictícia, que leva o slogan oficial de Las Vegas ("sin city", cidade do pecado), tem como nome completo Basin City (cidade do buraco), mas se parece muito com Manhattan, São Paulo e outras megaconcentrações urbanas.
O tempo é hoje, embora o clima seja dos romances e filmes noir dos anos 30 e 40, com seus "tiras", governantes e líderes religiosos corruptos, femmes fatales de coração mole e detetives particulares com ética inabalável. E violência, muita violência, decalitros de sangue, quilômetros de membros decepados, quilos de balas.
No dia do encontro com Miller, num bar, Rodriguez abriu seu laptop e falou: "Eu fiz isso". "Mas isso é literalmente minha HQ, quadro por quadro, como você conseguiu colocá-la em movimento?", espantou-se o autor. Nascia ali "Sin City", o filme.
Logo, os dois escolheram as três histórias que seriam adaptadas e como amarrá-las. Rodriguez fez questão de que Miller fosse co-diretor, o que o obrigou a se desligar do sindicato de diretores dos EUA, que proíbe tal prática. "Eu queria que ele estivesse lá para garantir que cada seqüência, cada cena, fosse fiel ao quadro que desenhou e que nunca perdêssemos este conceito de HQ em movimento", disse. Para complicar ainda mais a sua situação sindical, criou a categoria de "diretor especialmente convidado" para seu amigo Quentin Tarantino, que pilota uma das cenas mais violentas e cômicas do longa.
sexta-feira, março 11, 2005
Deus e o Diabo em Los Angeles
Ricardo Calil
11.03.2005 | “Constantine", que estréia hoje no Brasil, é um objeto raro na Hollywood de hoje: um filme de ação com mais idéias do que efeitos especiais. Seu principal inconveniente talvez seja justamente ter idéias demais, o que por vezes atravanca sua narrativa. Mas antes pecar pelo excesso do que pela ausência, como ocorre com a maioria das produções americanas atuais.
Baseado no clássico das histórias em quadrinhos “Hellblazer”, de Alan Moore, “Constantine” passeia por diferentes gêneros (do thriller sobrenatural ao filme noir), abriga diversas referências (de “O Exorcista” à série James Bond), bebe em variadas fontes visuais (do pintor medieval Hieronymus Bosch a videoclipes contemporâneos). Mas o maior interesse de “Constantine” reside na sua visão original e sincrética da religiosidade. A idéia central do filme se baseia em um conceito católico bastante conhecido: os suicidas não podem ir para o céu. Mas também há algo de espiritismo, santeria e satanismo nas entrelinhas.
A produção provavelmente não irá agradar aos fãs de “Hellblazer”, mas deverá divertir bastante os não-iniciados. O filme tomou várias liberdades com o original. Para começar, o protagonista da HQ era inglês e loiro. E a história do câncer no pulmão foi inventada para que Hollywood conseguisse emplacar um protagonista viciado em nicotina (o que transforma “Constantine” na mais cara e sofisticada campanha antitabagista da história). Mas o filme manteve a visão amarga e irônica da religião, essencial para os quadrinhos. O anjo Gabriel (Tilda Swinton) é sexual e moralmente ambíguo, o diabo (Peter Stormare) é um sujeito afável que se veste todo de branco, e o personagem Papa Midnight (Djimon Hounsou) lembra muito um pai de santo.
Já o protagonista Constantine (muito bem defendido por Keanu Reeves) é um caso clássico de católico culpado e relutante, um anti-herói que busca a salvação não porque tem fé em Deus, mas apenas porque não lhe agrada o inferno.
O diretor Francis Lawrence às vezes se perde um pouco na sinuosidade da trama, mas consegue produzir um visual bastante sofisticado, em especial nas cenas do inferno, que lembram os quadros de Bosch. Em um caso incomum, os efeitos especiais ajudam a narrativa, em vez de substituí-la.
“Constantine” é ao mesmo tempo pop e erudito, confuso e inspirado, religioso e profano. É também a primeira grande surpresa do cinema hollywoodiano a chegar ao Brasil neste ano. Que venham outras.
Ricardo Calil
11.03.2005 | “Constantine", que estréia hoje no Brasil, é um objeto raro na Hollywood de hoje: um filme de ação com mais idéias do que efeitos especiais. Seu principal inconveniente talvez seja justamente ter idéias demais, o que por vezes atravanca sua narrativa. Mas antes pecar pelo excesso do que pela ausência, como ocorre com a maioria das produções americanas atuais.
Baseado no clássico das histórias em quadrinhos “Hellblazer”, de Alan Moore, “Constantine” passeia por diferentes gêneros (do thriller sobrenatural ao filme noir), abriga diversas referências (de “O Exorcista” à série James Bond), bebe em variadas fontes visuais (do pintor medieval Hieronymus Bosch a videoclipes contemporâneos). Mas o maior interesse de “Constantine” reside na sua visão original e sincrética da religiosidade. A idéia central do filme se baseia em um conceito católico bastante conhecido: os suicidas não podem ir para o céu. Mas também há algo de espiritismo, santeria e satanismo nas entrelinhas.
A produção provavelmente não irá agradar aos fãs de “Hellblazer”, mas deverá divertir bastante os não-iniciados. O filme tomou várias liberdades com o original. Para começar, o protagonista da HQ era inglês e loiro. E a história do câncer no pulmão foi inventada para que Hollywood conseguisse emplacar um protagonista viciado em nicotina (o que transforma “Constantine” na mais cara e sofisticada campanha antitabagista da história). Mas o filme manteve a visão amarga e irônica da religião, essencial para os quadrinhos. O anjo Gabriel (Tilda Swinton) é sexual e moralmente ambíguo, o diabo (Peter Stormare) é um sujeito afável que se veste todo de branco, e o personagem Papa Midnight (Djimon Hounsou) lembra muito um pai de santo.
Já o protagonista Constantine (muito bem defendido por Keanu Reeves) é um caso clássico de católico culpado e relutante, um anti-herói que busca a salvação não porque tem fé em Deus, mas apenas porque não lhe agrada o inferno.
O diretor Francis Lawrence às vezes se perde um pouco na sinuosidade da trama, mas consegue produzir um visual bastante sofisticado, em especial nas cenas do inferno, que lembram os quadros de Bosch. Em um caso incomum, os efeitos especiais ajudam a narrativa, em vez de substituí-la.
“Constantine” é ao mesmo tempo pop e erudito, confuso e inspirado, religioso e profano. É também a primeira grande surpresa do cinema hollywoodiano a chegar ao Brasil neste ano. Que venham outras.
quinta-feira, março 10, 2005
Razorlight - Somewhere Else
You're an emotional wreck
You don't know who you are
You never say what you mean
And you keep your mouth shut
And your night stays still
And then you come and call on me
You say I just can't help myself
I really, really wish I could be
Somewhere else than here
But now I just can't help myself
I really, really wish I could be
Somewhere else than here
You give me everything I need
But I really, really wish I could be
Somewhere else than here
Just anywhere else
Just anywere else than here...
You're an emotional wreck
You don't know who you are
You never say what you mean
And you keep your mouth shut
And your night stays still
And then you come and call on me
You say I just can't help myself
I really, really wish I could be
Somewhere else than here
But now I just can't help myself
I really, really wish I could be
Somewhere else than here
You give me everything I need
But I really, really wish I could be
Somewhere else than here
Just anywhere else
Just anywere else than here...
quarta-feira, março 09, 2005
Achei que Meu Pai Fosse Deus: e Outras Histórias da Vida Americana
PAUL AUSTER
Esta é minha história, a história que conto para as pessoas quando as conheço bem. Estou com 23 anos agora; quando estas coisas aconteceram, eu tinha dezenove, quase vinte.
No final de meu segundo ano na faculdade, consegui um emprego de férias no serviço florestal da Califórnia. Não queria dirigir sozinha desde a Geórgia, então convenci Anna, minha melhor amiga há dez anos, a viajar comigo e depois voltar de avião. Nenhuma das duas já atravessara o país. Meu pai encheu o carro com quilos de equipamento de emergência para a estrada: um machado, um conjunto de ferramentas “faça-você-mesmo”, luzes de emergência que durariam até 36 horas, um macaco sofisticado, um galão de água, um cabide torto (caso o amortecedor caísse), um pequeno kit de primeiros socorros e um telefone celular que podia ser ligado no acendedor de cigarros. Ele passou várias noites acordado, pensando nas maneiras de nos proteger de tudo que pudesse acontecer na viagem.
Partimos no começo de junho, dirigindo depressa para sair do Sudeste. Começamos a relaxar quando chegamos às pradarias que margeiam as montanhas do Oeste e nos deleitamos atravessando os desertos do Sudoeste. Lembro de dirigir entre as formações douradas de arenito no calor e Anna pondo as palmas das mãos no pára-brisa e exclamando que parecia que segurava o brilho do sol nas mãos. Naquela noite, paramos numa minúscula cidade de Utah chamada Blanding. No hotel, examinamos nossa rota no mapa e decidimos que acordaríamos cedo, seguiríamos para o sul, na direção do Arizona, e que chegaríamos a Las Vegas na noite seguinte.
Partimos logo após o amanhecer, tomando a direção sul na Highway 81. Era uma estrada de pista simples e, assim que deixamos Blanding, não se via mais do que arbustos e colinas vermelhas distantes. Eu dirigia e Anna pilotava a câmera de vídeo. Pouco antes de desligarmos a câmera, observei como seria horrível sofrer um acidente de carro naquele lugar - o isolamento era palpável, a paisagem sem árvores parecia implacável. Eu ansiava por ver árvores novamente.
De repente, surgiu a figura de um homem diante de nós, no lado direito da estrada. Parecia ter emergido do acostamento baixo e sacudia os braços para nós.
“Meu Deus”, falei, pensando nas histórias que minha mãe via na televisão sobre mulheres atacadas nas estradas, “o que é isto?”
“Rachel”, disse Anna, com a mão na janela, “você está vendo o rosto dele? Está vendo aquele carro?”
Virei-me e olhei. Era a última coisa que eu gostaria de ver.
O rosto do homem estava um tanto coberto de sangue. Cerca de dez metros atrás dele havia um caminhão capotado e destruído na areia. Vi corpos espalhados pelos arbustos, alguns a mais de quinze metros da estrada.
Anna abaixou o vidro. O homem disse que houvera um acidente terrível e que precisavam de ajuda. Estacionei o carro e decidi correr o risco, enquanto Anna chamava a polícia pelo telefone celular. Eu notara uma placa pouco antes: estávamos a oito quilômetros da fronteira do Arizona. Anna perguntou ao homem quantas pessoas estavam lá. Escutei-a dizer ao minúsculo telefone: “Acho que são umas quinze pessoas”. Não havia mais ninguém por perto e nada à vista por quilômetros. Não havíamos visto nenhum outro carro desde que partíramos de Blanding. Depois que Anna desligou o telefone, éramos apenas nós e eles. O homem disse que se chamava Juan.
Os primeiros veículos de emergência chegariam quarenta minutos depois. No decorrer da manhã, viriam um a um, sempre ficando sem esparadrapo e maca e espaço para os corpos. Umas poucas pessoas parariam para ajudar. O acidente envolvia apenas um veículo, um caminhão coberto que transportava dezessete imigrantes mexicanos que haviam viajado toda a noite. Três deles morreram naquele dia e catorze sofreram ferimentos internos, lacerações e ossos quebrados.
Saí do carro e desci pelo acostamento, trêmula e levando a pouca água que tínhamos. Quando cheguei no terreno plano, uma garota da minha idade veio correndo na minha direção. Era a única mulher do grupo e saíra do lado de um rapaz que estava estendido de costas no chão. Havia sangue em seu rosto e sua boca e loucura em seus olhos. Falava em espanhol e pegou a água de mim. Seus longos cabelos negros flutuavam atrás dela. Segui-a até o rapaz e me ajoelhei ao seu lado, enquanto ela jogava água no rosto dele, sem parar de gritar algo em espanhol. Olhei em volta por um instante. Outros homens jaziam silenciosamente na areia, de barriga para baixo. A respiração do rapaz era entrecortada e difícil e algo me disse que estava todo quebrado por dentro. Corri até meu carro para pegar nossos suprimentos.
Quando peguei nosso kit de primeiros socorros, que era do tamanho de duas batatas assadas, comecei a rir. Abri o pacote e olhei para os pequenos pacotes de gaze e band-aid e fui tomada por um súbito sentimento de ódio por mim mesma. Imaginei-me escondendo-me sob o carro para esperar a chegada das ambulâncias. Esse momento pareceu durar, mas não poderia. Outro sentimento acorreu de outro lugar e tirou-me de mim mesma: tinha certeza de que voltaria lá e nada que visse poderia me fazer dar as costas.
Nas quatro horas seguintes, Anna e eu corremos de um corpo para o outro, usando Juan como intérprete, dizendo para ficarem imóveis ou perguntando se sentiam frio. Pegamos todas as toalhas e cobertores que eu trazia e os enfiamos sob os homens, que começavam a tremer de choque. Vimos muitas coisas medonhas. Enfiei a cara na areia para fazer contato visual e passei minhas mãos suavemente sobre costas e cabeças, dizendo em inglês o que eu esperava que fossem sons calmantes, sabendo instintivamente que, quando a gente se sente sozinho, é mais fácil decidir morrer.
Quando as ambulâncias chegaram, ajudamos os paramédicos a pôr os homens nas macas e ficamos com os homens que tinham de esperar no acostamento pela próxima viagem. Para um deles, era quase impossível respirar, seus olhos eram como bolas de vidro e sua boca estava coberta de sangue. Pus meu rosto logo acima do dele e friccionei suavemente seu peito, encorajando-o a continuar respirando.
O rapaz que estava quebrado morreu enquanto eu observava sua esposa de dezenove anos gritar e abrir seus lábios e gengivas, como se procurasse vida em sua boca. Fiquei sentada quieta por um momento, atordoada e paralisada. Quando compreendi que ele estava morto, corri para outro corpo silencioso com o rosto enfiado na areia.
Quando me abaixei para falar com um homem deitado no chão e cujo braço estava partido em dois, olhei adiante e vi o rosto vincado pelas rugas de um velho com longos cabelos grisalhos, a cabeça repousada na areia, os olhos vidrados em mim. Arrastei-me até ele e fechei seus olhos, peguei um lençol para cobri-lo, tentando fazer algo por ele para que não ficasse ali, morto e abandonado.
Um menino que fora jogado mais longe que os outros estava sendo amarrado numa maca pelos paramédicos. Falei com ele, dei-lhe um sorriso aberto e lhe garanti que ficaria bom! Seus olhos e sua boca estavam cheios de sangue, mas pareceu-me que me via e que sorriu de volta. Morreu depois no helicóptero que o levava para Grand Junction.
Quando todos os outros haviam sido levados, Anna e eu já estávamos apaixonadas por nosso intérprete, Juan. Tinha 27 anos, falava inglês perfeito e tinha a cabeça coberta por cabelos grossos e encaracolados. Enquanto uma paramédica navajo cuidava dele, com Anna e eu ao lado, disse que estava com vergonha por não cortar os cabelos há tanto tempo. Anna pegou a bagagem dele no caminhão capotado: um saco de supermercado com meias dentro. Juan tinha quatro ferimentos na cabeça e os cabelos grossos haviam ajudado a controlar o sangramento. Estava entrando em delírio quando finalmente o colocaram na ambulância. Quando percebeu que íamos nos separar, entrou em pânico e ergueu-se da maca na minha direção.
“Para onde vocês vão?”, perguntou, e tive de dizer que estávamos voltando para a estrada. Disse isso porque não sabia o que mais poderia fazer. Não podia segui-lo para o mundo do hospital. Já tivera minha dose. Estava pronta para voltar ao mundo da segurança, de sangue e ossos devidamente contidos dentro dos corpos, às árvores, ao conforto e à misericórdia.
“Não posso pagar vocês, mas Deus vai recompensá-las”, disse Juan.
O cheiro do homem ficou comigo, apesar de me lavar várias vezes. Podia senti-lo emanando de meus pulsos enquanto dirigia, o cheiro amargo de suor velho e pobreza. À noite, tivemos cãibras nos músculos das pernas, devido às horas de correria trêmula para cima e para baixo, e a areia que se misturou com meu suor ainda está grudada nas sandálias que eu usava naquele dia.
Chegamos a Las Vegas naquela noite, exaustas e abaladas. Chorei no telefone ao falar com meu pai, repetindo sem parar: “Foi horrível”. Foi a única vez que chorei por causa do acidente. Um ano depois, acordei suando frio no meio da noite com uma voz martelando dentro da minha cabeça a frase: “Você viu um homem morrer”.
O que fazer com isso? O que fazer com os eventos daquela manhã, engolidos pelo tempo enquanto nos afastávamos, coisas das quais não saberíamos mais nada: nenhuma menção no noticiário noturno, nenhuma notícia em nenhum jornal que tenhamos lido? Poderia muito bem ser um sonho que ambas tivemos.
O que você faz com uma história como esta? Não tem lição, não tem moral, quase não tem um fim. Você quer contá-la, ouvir ser contada, mas não sabe por quê.
Raquel Watson
Washington, D.C.
PAUL AUSTER
Esta é minha história, a história que conto para as pessoas quando as conheço bem. Estou com 23 anos agora; quando estas coisas aconteceram, eu tinha dezenove, quase vinte.
No final de meu segundo ano na faculdade, consegui um emprego de férias no serviço florestal da Califórnia. Não queria dirigir sozinha desde a Geórgia, então convenci Anna, minha melhor amiga há dez anos, a viajar comigo e depois voltar de avião. Nenhuma das duas já atravessara o país. Meu pai encheu o carro com quilos de equipamento de emergência para a estrada: um machado, um conjunto de ferramentas “faça-você-mesmo”, luzes de emergência que durariam até 36 horas, um macaco sofisticado, um galão de água, um cabide torto (caso o amortecedor caísse), um pequeno kit de primeiros socorros e um telefone celular que podia ser ligado no acendedor de cigarros. Ele passou várias noites acordado, pensando nas maneiras de nos proteger de tudo que pudesse acontecer na viagem.
Partimos no começo de junho, dirigindo depressa para sair do Sudeste. Começamos a relaxar quando chegamos às pradarias que margeiam as montanhas do Oeste e nos deleitamos atravessando os desertos do Sudoeste. Lembro de dirigir entre as formações douradas de arenito no calor e Anna pondo as palmas das mãos no pára-brisa e exclamando que parecia que segurava o brilho do sol nas mãos. Naquela noite, paramos numa minúscula cidade de Utah chamada Blanding. No hotel, examinamos nossa rota no mapa e decidimos que acordaríamos cedo, seguiríamos para o sul, na direção do Arizona, e que chegaríamos a Las Vegas na noite seguinte.
Partimos logo após o amanhecer, tomando a direção sul na Highway 81. Era uma estrada de pista simples e, assim que deixamos Blanding, não se via mais do que arbustos e colinas vermelhas distantes. Eu dirigia e Anna pilotava a câmera de vídeo. Pouco antes de desligarmos a câmera, observei como seria horrível sofrer um acidente de carro naquele lugar - o isolamento era palpável, a paisagem sem árvores parecia implacável. Eu ansiava por ver árvores novamente.
De repente, surgiu a figura de um homem diante de nós, no lado direito da estrada. Parecia ter emergido do acostamento baixo e sacudia os braços para nós.
“Meu Deus”, falei, pensando nas histórias que minha mãe via na televisão sobre mulheres atacadas nas estradas, “o que é isto?”
“Rachel”, disse Anna, com a mão na janela, “você está vendo o rosto dele? Está vendo aquele carro?”
Virei-me e olhei. Era a última coisa que eu gostaria de ver.
O rosto do homem estava um tanto coberto de sangue. Cerca de dez metros atrás dele havia um caminhão capotado e destruído na areia. Vi corpos espalhados pelos arbustos, alguns a mais de quinze metros da estrada.
Anna abaixou o vidro. O homem disse que houvera um acidente terrível e que precisavam de ajuda. Estacionei o carro e decidi correr o risco, enquanto Anna chamava a polícia pelo telefone celular. Eu notara uma placa pouco antes: estávamos a oito quilômetros da fronteira do Arizona. Anna perguntou ao homem quantas pessoas estavam lá. Escutei-a dizer ao minúsculo telefone: “Acho que são umas quinze pessoas”. Não havia mais ninguém por perto e nada à vista por quilômetros. Não havíamos visto nenhum outro carro desde que partíramos de Blanding. Depois que Anna desligou o telefone, éramos apenas nós e eles. O homem disse que se chamava Juan.
Os primeiros veículos de emergência chegariam quarenta minutos depois. No decorrer da manhã, viriam um a um, sempre ficando sem esparadrapo e maca e espaço para os corpos. Umas poucas pessoas parariam para ajudar. O acidente envolvia apenas um veículo, um caminhão coberto que transportava dezessete imigrantes mexicanos que haviam viajado toda a noite. Três deles morreram naquele dia e catorze sofreram ferimentos internos, lacerações e ossos quebrados.
Saí do carro e desci pelo acostamento, trêmula e levando a pouca água que tínhamos. Quando cheguei no terreno plano, uma garota da minha idade veio correndo na minha direção. Era a única mulher do grupo e saíra do lado de um rapaz que estava estendido de costas no chão. Havia sangue em seu rosto e sua boca e loucura em seus olhos. Falava em espanhol e pegou a água de mim. Seus longos cabelos negros flutuavam atrás dela. Segui-a até o rapaz e me ajoelhei ao seu lado, enquanto ela jogava água no rosto dele, sem parar de gritar algo em espanhol. Olhei em volta por um instante. Outros homens jaziam silenciosamente na areia, de barriga para baixo. A respiração do rapaz era entrecortada e difícil e algo me disse que estava todo quebrado por dentro. Corri até meu carro para pegar nossos suprimentos.
Quando peguei nosso kit de primeiros socorros, que era do tamanho de duas batatas assadas, comecei a rir. Abri o pacote e olhei para os pequenos pacotes de gaze e band-aid e fui tomada por um súbito sentimento de ódio por mim mesma. Imaginei-me escondendo-me sob o carro para esperar a chegada das ambulâncias. Esse momento pareceu durar, mas não poderia. Outro sentimento acorreu de outro lugar e tirou-me de mim mesma: tinha certeza de que voltaria lá e nada que visse poderia me fazer dar as costas.
Nas quatro horas seguintes, Anna e eu corremos de um corpo para o outro, usando Juan como intérprete, dizendo para ficarem imóveis ou perguntando se sentiam frio. Pegamos todas as toalhas e cobertores que eu trazia e os enfiamos sob os homens, que começavam a tremer de choque. Vimos muitas coisas medonhas. Enfiei a cara na areia para fazer contato visual e passei minhas mãos suavemente sobre costas e cabeças, dizendo em inglês o que eu esperava que fossem sons calmantes, sabendo instintivamente que, quando a gente se sente sozinho, é mais fácil decidir morrer.
Quando as ambulâncias chegaram, ajudamos os paramédicos a pôr os homens nas macas e ficamos com os homens que tinham de esperar no acostamento pela próxima viagem. Para um deles, era quase impossível respirar, seus olhos eram como bolas de vidro e sua boca estava coberta de sangue. Pus meu rosto logo acima do dele e friccionei suavemente seu peito, encorajando-o a continuar respirando.
O rapaz que estava quebrado morreu enquanto eu observava sua esposa de dezenove anos gritar e abrir seus lábios e gengivas, como se procurasse vida em sua boca. Fiquei sentada quieta por um momento, atordoada e paralisada. Quando compreendi que ele estava morto, corri para outro corpo silencioso com o rosto enfiado na areia.
Quando me abaixei para falar com um homem deitado no chão e cujo braço estava partido em dois, olhei adiante e vi o rosto vincado pelas rugas de um velho com longos cabelos grisalhos, a cabeça repousada na areia, os olhos vidrados em mim. Arrastei-me até ele e fechei seus olhos, peguei um lençol para cobri-lo, tentando fazer algo por ele para que não ficasse ali, morto e abandonado.
Um menino que fora jogado mais longe que os outros estava sendo amarrado numa maca pelos paramédicos. Falei com ele, dei-lhe um sorriso aberto e lhe garanti que ficaria bom! Seus olhos e sua boca estavam cheios de sangue, mas pareceu-me que me via e que sorriu de volta. Morreu depois no helicóptero que o levava para Grand Junction.
Quando todos os outros haviam sido levados, Anna e eu já estávamos apaixonadas por nosso intérprete, Juan. Tinha 27 anos, falava inglês perfeito e tinha a cabeça coberta por cabelos grossos e encaracolados. Enquanto uma paramédica navajo cuidava dele, com Anna e eu ao lado, disse que estava com vergonha por não cortar os cabelos há tanto tempo. Anna pegou a bagagem dele no caminhão capotado: um saco de supermercado com meias dentro. Juan tinha quatro ferimentos na cabeça e os cabelos grossos haviam ajudado a controlar o sangramento. Estava entrando em delírio quando finalmente o colocaram na ambulância. Quando percebeu que íamos nos separar, entrou em pânico e ergueu-se da maca na minha direção.
“Para onde vocês vão?”, perguntou, e tive de dizer que estávamos voltando para a estrada. Disse isso porque não sabia o que mais poderia fazer. Não podia segui-lo para o mundo do hospital. Já tivera minha dose. Estava pronta para voltar ao mundo da segurança, de sangue e ossos devidamente contidos dentro dos corpos, às árvores, ao conforto e à misericórdia.
“Não posso pagar vocês, mas Deus vai recompensá-las”, disse Juan.
O cheiro do homem ficou comigo, apesar de me lavar várias vezes. Podia senti-lo emanando de meus pulsos enquanto dirigia, o cheiro amargo de suor velho e pobreza. À noite, tivemos cãibras nos músculos das pernas, devido às horas de correria trêmula para cima e para baixo, e a areia que se misturou com meu suor ainda está grudada nas sandálias que eu usava naquele dia.
Chegamos a Las Vegas naquela noite, exaustas e abaladas. Chorei no telefone ao falar com meu pai, repetindo sem parar: “Foi horrível”. Foi a única vez que chorei por causa do acidente. Um ano depois, acordei suando frio no meio da noite com uma voz martelando dentro da minha cabeça a frase: “Você viu um homem morrer”.
O que fazer com isso? O que fazer com os eventos daquela manhã, engolidos pelo tempo enquanto nos afastávamos, coisas das quais não saberíamos mais nada: nenhuma menção no noticiário noturno, nenhuma notícia em nenhum jornal que tenhamos lido? Poderia muito bem ser um sonho que ambas tivemos.
O que você faz com uma história como esta? Não tem lição, não tem moral, quase não tem um fim. Você quer contá-la, ouvir ser contada, mas não sabe por quê.
Raquel Watson
Washington, D.C.
terça-feira, março 08, 2005
Late For the Sky
(Jackson Browne)
The words had all been spoken
And somehow the feeling still wasn’t right
And still we continued on through the night
Tracing our steps from the beginning
Until they vanished into the air
Trying to understand how our lives has led us there.
Looking hard into your eyes
There was nobody I’d ever known
Such an empty surprise to feel so alone.
Now for me some words come easy
But I know that they don’t mean that much
Compared with the things that are said when lovers touch
You never knew what I loved in you
I don’t know what you loved in me
Maybe the picture of somebody you were hoping I might be.
Awake again I can’t pretend and I know I’m alone
And close to the end of the feeling we’ve known.
How long have I been sleeping
How long have I been drifting alone through the night
How long have I been dreaming I could make it right
If I closed my eyes and tried with all my might
To be the one you need.
How long have I been running for that morning flight
Through the whispered promises and the changing light
Of the bed where we both lie
Late for the sky.
(Jackson Browne)
The words had all been spoken
And somehow the feeling still wasn’t right
And still we continued on through the night
Tracing our steps from the beginning
Until they vanished into the air
Trying to understand how our lives has led us there.
Looking hard into your eyes
There was nobody I’d ever known
Such an empty surprise to feel so alone.
Now for me some words come easy
But I know that they don’t mean that much
Compared with the things that are said when lovers touch
You never knew what I loved in you
I don’t know what you loved in me
Maybe the picture of somebody you were hoping I might be.
Awake again I can’t pretend and I know I’m alone
And close to the end of the feeling we’ve known.
How long have I been sleeping
How long have I been drifting alone through the night
How long have I been dreaming I could make it right
If I closed my eyes and tried with all my might
To be the one you need.
How long have I been running for that morning flight
Through the whispered promises and the changing light
Of the bed where we both lie
Late for the sky.
segunda-feira, março 07, 2005
Anjos e Demônios
Terminei de ler mais um livro de Dan Brown: Anjos e Demônios. Na verdade, essa é a primeira aventura do professor de arte e simbologista Robert Langdon. A estória dessa vez se passa no Vaticano, envolvendo o Papa, Cardeais, um antiga sociedade secreta chamada Illuminatus, um centro de pesquinas na Suiça (Cern) e anti-matéria. É interessante como ele mistura ficção e realidade, nos envolvendo em tramas fantásticas. Um livro que você começa a ler e não quer deixar de lado até terminar. Discover the secrets Também dá uma vontade de viajar pela Europa.Já estive em Roma, mas foi um passeio tão rápido que são poucas as recordações. O dia que visitamos a Capela Sistina, por exemplo. Era um dia de visitação livre, quer dizer, de graça. Imagine a quantidade de pessoas ali!
Terminei de ler mais um livro de Dan Brown: Anjos e Demônios. Na verdade, essa é a primeira aventura do professor de arte e simbologista Robert Langdon. A estória dessa vez se passa no Vaticano, envolvendo o Papa, Cardeais, um antiga sociedade secreta chamada Illuminatus, um centro de pesquinas na Suiça (Cern) e anti-matéria. É interessante como ele mistura ficção e realidade, nos envolvendo em tramas fantásticas. Um livro que você começa a ler e não quer deixar de lado até terminar. Discover the secrets Também dá uma vontade de viajar pela Europa.Já estive em Roma, mas foi um passeio tão rápido que são poucas as recordações. O dia que visitamos a Capela Sistina, por exemplo. Era um dia de visitação livre, quer dizer, de graça. Imagine a quantidade de pessoas ali!
domingo, março 06, 2005
Sobre Lost _ Lúcio Ribeiro
A série tem o nome "Lost" e é sobre um grupo de pessoas abandonadas pelo destino numa ilha no Pacífico. Mas não se engane: o "lost" do título, o perdido, é o telespectador.
Ganha estréia de gala amanhã com duas horas de exibição e transmissão simultânea em dois canais da TV paga o seriado-bomba "Lost", que desde setembro do ano passado tem feito cerca de 20 milhões de americanos roerem a unha semanalmente.
"Lost" vai ao ar pela primeira vez no Sony e em seu canal de ação, o AXN, às 20h. Depois, segue pregando seus seguidores na poltrona somente no AXN, às segundas, sempre às 21h.
Filmada inteiramente no Havaí, a série foi criada, produzida e algumas vezes dirigida por J.J. Abrams, o realizador de "Alias". O espetáculo visual de "Lost" tem assinatura do colombiano Carlos Barbosa, festejado diretor de arte que fez seu nome construindo os cenários de "24 Horas" e "CSI: Miami", entre outras.
Grosso modo, "Lost" conta a saga de 48 pessoas que acabaram de sobreviver a um trágico acidente de avião, mas agora têm que enfrentar os mistérios de uma ilha sinistra. Uma forte turbulência tirou o Boeing de sua rota, atirou-o despedaçado à ilha e deixou os vivos incomunicáveis e desamparados. Não demora muito, todo mundo percebe (personagens e telespectadores) que o desastre de avião é "o de menos". A tal ilha, o mar lindo, as cachoeiras, a pinta de paraíso, tudo isso logo vai se transformar num sinistro cenário de "Além da Imaginação".
Imagine reunir os personagens de Mulder e Scully (pela proximidade com o bizarro), de "Arquivo X", alguns de "Twin Peaks" (pelo passado misterioso e suspeito), o visual de "Náufrago", algumas tensões sexuais. Isso é "Lost".
Dos 48 que sobreviveram à queda do avião, apavorantemente bem mostrada no episódio duplo de estréia, um núcleo de uns 12 personagens vai ser perseguido pelas câmeras deste verdadeiro "unreality show". E aí o melhor e o pior do ser humano vai aflorar.
O personagem principal é Jack (Matthew Fox, o irmão mais velho de "O Quinteto"), o médico que vai liderar primeiro o socorro imediato às vitimas do avião, depois a luta pela sobrevivência até que apareça ajuda. Se é que vai haver alguma.
Enquanto não há, os que restaram vivos vão enfrentar dois fantasmas: o do passado, hum, complicado, quando são mostrados os acontecimentos mal resolvidos que acompanharam cada um até a fila de embarque do fatídico avião; e o do futuro, hum, sinistro, por tudo o que a ilha estranha tem a oferecer.
"Lost" é viciante. Para cada mistério resolvido, outros dois aparecem para embaralhar a cabeça dos que acompanham o seriado.
Tanto que parte da platéia americana vai em disparada à internet assim que um episódio de "Lost" acaba. A correria é para especular quais das inúmeras "teorias" sobre o que está acontecendo na ilha podem ser verdadeiras. No melhor estilo "O Código Da Vinci".
Se fossem publicar um livro na linha "Decifrando "Lost'", algumas das "soluções" a serem colocadas em perspectiva seriam:
* todos morreram no acidente de avião, menos o médico Jack, e tudo o que acontece depois é delírio dele;
* ninguém sobreviveu ao acidente, e estão todos no Purgatório enfrentando o carma;
* os 48 vivos fazem parte de um experimento do governo para testar a sobrevivência humana (L.O.S.T. = Life Observation Survival Test);
* "Lost" é uma versão moderna de "A Ilha do Dr. Moreau" e o lugar é uma espécie de laboratório gigante para experimentos de cientistas;
ou estão todos dormindo no avião e sonhando.
"Lost" passa em TV aberta nos EUA (ABC) e atingiu o status de série mais vista na estréia, em horário nobre, nos últimos cinco anos. Mas não deve ter sido bem recebida pelas companhias aéreas americanas. Não é fácil mesmo embarcar depois de assistir a seus primeiros episódios.
E, não! Ainda não há resposta para o dinossauro e o urso polar que aparecem na ilha paradisíaca.
A série tem o nome "Lost" e é sobre um grupo de pessoas abandonadas pelo destino numa ilha no Pacífico. Mas não se engane: o "lost" do título, o perdido, é o telespectador.
Ganha estréia de gala amanhã com duas horas de exibição e transmissão simultânea em dois canais da TV paga o seriado-bomba "Lost", que desde setembro do ano passado tem feito cerca de 20 milhões de americanos roerem a unha semanalmente.
"Lost" vai ao ar pela primeira vez no Sony e em seu canal de ação, o AXN, às 20h. Depois, segue pregando seus seguidores na poltrona somente no AXN, às segundas, sempre às 21h.
Filmada inteiramente no Havaí, a série foi criada, produzida e algumas vezes dirigida por J.J. Abrams, o realizador de "Alias". O espetáculo visual de "Lost" tem assinatura do colombiano Carlos Barbosa, festejado diretor de arte que fez seu nome construindo os cenários de "24 Horas" e "CSI: Miami", entre outras.
Grosso modo, "Lost" conta a saga de 48 pessoas que acabaram de sobreviver a um trágico acidente de avião, mas agora têm que enfrentar os mistérios de uma ilha sinistra. Uma forte turbulência tirou o Boeing de sua rota, atirou-o despedaçado à ilha e deixou os vivos incomunicáveis e desamparados. Não demora muito, todo mundo percebe (personagens e telespectadores) que o desastre de avião é "o de menos". A tal ilha, o mar lindo, as cachoeiras, a pinta de paraíso, tudo isso logo vai se transformar num sinistro cenário de "Além da Imaginação".
Imagine reunir os personagens de Mulder e Scully (pela proximidade com o bizarro), de "Arquivo X", alguns de "Twin Peaks" (pelo passado misterioso e suspeito), o visual de "Náufrago", algumas tensões sexuais. Isso é "Lost".
Dos 48 que sobreviveram à queda do avião, apavorantemente bem mostrada no episódio duplo de estréia, um núcleo de uns 12 personagens vai ser perseguido pelas câmeras deste verdadeiro "unreality show". E aí o melhor e o pior do ser humano vai aflorar.
O personagem principal é Jack (Matthew Fox, o irmão mais velho de "O Quinteto"), o médico que vai liderar primeiro o socorro imediato às vitimas do avião, depois a luta pela sobrevivência até que apareça ajuda. Se é que vai haver alguma.
Enquanto não há, os que restaram vivos vão enfrentar dois fantasmas: o do passado, hum, complicado, quando são mostrados os acontecimentos mal resolvidos que acompanharam cada um até a fila de embarque do fatídico avião; e o do futuro, hum, sinistro, por tudo o que a ilha estranha tem a oferecer.
"Lost" é viciante. Para cada mistério resolvido, outros dois aparecem para embaralhar a cabeça dos que acompanham o seriado.
Tanto que parte da platéia americana vai em disparada à internet assim que um episódio de "Lost" acaba. A correria é para especular quais das inúmeras "teorias" sobre o que está acontecendo na ilha podem ser verdadeiras. No melhor estilo "O Código Da Vinci".
Se fossem publicar um livro na linha "Decifrando "Lost'", algumas das "soluções" a serem colocadas em perspectiva seriam:
* todos morreram no acidente de avião, menos o médico Jack, e tudo o que acontece depois é delírio dele;
* ninguém sobreviveu ao acidente, e estão todos no Purgatório enfrentando o carma;
* os 48 vivos fazem parte de um experimento do governo para testar a sobrevivência humana (L.O.S.T. = Life Observation Survival Test);
* "Lost" é uma versão moderna de "A Ilha do Dr. Moreau" e o lugar é uma espécie de laboratório gigante para experimentos de cientistas;
ou estão todos dormindo no avião e sonhando.
"Lost" passa em TV aberta nos EUA (ABC) e atingiu o status de série mais vista na estréia, em horário nobre, nos últimos cinco anos. Mas não deve ter sido bem recebida pelas companhias aéreas americanas. Não é fácil mesmo embarcar depois de assistir a seus primeiros episódios.
E, não! Ainda não há resposta para o dinossauro e o urso polar que aparecem na ilha paradisíaca.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Wish List
31 canções, de Nick Hornby. Tradução de Lúcia Helena Schaefer de Brito. Editora Rocco.
Cinco separações mais memoráveis, cinco empregos ideais, cinco melhores filmes para a minha mãe, cinco melhores primeiras músicas de discos etc. Nick Hornby praticamente nos tornou dependentes de listas — de top five, principalmente — depois de seu maior sucesso: “Alta fidelidade”. Agora, em “31 canções”, ele nos apresenta suas músicas prediletas em uma lista que mais cedo ou mais tarde discutiremos em alguma mesa de bar — alterados ou não. Enfim, filosofia de botequim da melhor qualidade, por mais que você reconheça ou não alguma canção. A maioria, aliás, eu não conhecia. Mas o que importa é a verve e o bom humor de Hornby. Seus ensaios algumas vezes lembram fatos da vida associados a uma canção, outras vezes apenas dizem que aquela música é boa e pronto.
As 31 músicas:
1.Thunder Road: Bruce Springsteen;
2.Your Love is the Place That I Come From: Teenage Fanclub;
3. I'm Like a Bird: Nelly Furtado;
4. Heartbreaker: Led Zeppelin;
5. One Man Guy: Rufus Wainwright;
6. Samba Pa Ti: Santana;
7. Mama Been on My Mind: Rod Stewart;
8. Can You Please Crawl Out of Your Window? Bob Dylan;
9. Rain: The Beatles;
10. You Had Time: Ani DiFranco;
11. I've Had It: Aimee Mann;
12. Born For Me: Paul Westerberg;
13. Frankie Teardrop: Suicide;
14. Ain't That Enough: Teenage Fanclub;
15. First I Look at the Purse: J. Geils Band;
16. Smoke: Ben Folds Five;
17. A Minor Incident: Badly Drawn Boy;
18. Glorybound: The Bible;
19. Caravan: Van Morrison;
20. So I'll Run: Butch Hancock & Marce LaCouture;
21. Puff the Magic Dragon: Gregory Isaacs; 22. Reasons to be Cheerful, Part 3;
23. The Calvary Cross: Richard and Linda Thompson;
24. Late For the Sky: Jackson Browne;
25. Hey Self-Defeater: Mark Mulcahy;
26. Needle in a Haystack: The Velvelettes;
27. Let's Straighten it Out: O.V. Wright;
28. Royksopp's Night Out: Royksopp;
29. Frontier Psychiatrist: The Avalanches;
30. No Fun/Push It: Soulwax;
31. Pissing in a River: Patti Smith Group.
31 canções, de Nick Hornby. Tradução de Lúcia Helena Schaefer de Brito. Editora Rocco.
Cinco separações mais memoráveis, cinco empregos ideais, cinco melhores filmes para a minha mãe, cinco melhores primeiras músicas de discos etc. Nick Hornby praticamente nos tornou dependentes de listas — de top five, principalmente — depois de seu maior sucesso: “Alta fidelidade”. Agora, em “31 canções”, ele nos apresenta suas músicas prediletas em uma lista que mais cedo ou mais tarde discutiremos em alguma mesa de bar — alterados ou não. Enfim, filosofia de botequim da melhor qualidade, por mais que você reconheça ou não alguma canção. A maioria, aliás, eu não conhecia. Mas o que importa é a verve e o bom humor de Hornby. Seus ensaios algumas vezes lembram fatos da vida associados a uma canção, outras vezes apenas dizem que aquela música é boa e pronto.
As 31 músicas:
1.Thunder Road: Bruce Springsteen;
2.Your Love is the Place That I Come From: Teenage Fanclub;
3. I'm Like a Bird: Nelly Furtado;
4. Heartbreaker: Led Zeppelin;
5. One Man Guy: Rufus Wainwright;
6. Samba Pa Ti: Santana;
7. Mama Been on My Mind: Rod Stewart;
8. Can You Please Crawl Out of Your Window? Bob Dylan;
9. Rain: The Beatles;
10. You Had Time: Ani DiFranco;
11. I've Had It: Aimee Mann;
12. Born For Me: Paul Westerberg;
13. Frankie Teardrop: Suicide;
14. Ain't That Enough: Teenage Fanclub;
15. First I Look at the Purse: J. Geils Band;
16. Smoke: Ben Folds Five;
17. A Minor Incident: Badly Drawn Boy;
18. Glorybound: The Bible;
19. Caravan: Van Morrison;
20. So I'll Run: Butch Hancock & Marce LaCouture;
21. Puff the Magic Dragon: Gregory Isaacs; 22. Reasons to be Cheerful, Part 3;
23. The Calvary Cross: Richard and Linda Thompson;
24. Late For the Sky: Jackson Browne;
25. Hey Self-Defeater: Mark Mulcahy;
26. Needle in a Haystack: The Velvelettes;
27. Let's Straighten it Out: O.V. Wright;
28. Royksopp's Night Out: Royksopp;
29. Frontier Psychiatrist: The Avalanches;
30. No Fun/Push It: Soulwax;
31. Pissing in a River: Patti Smith Group.
Bartleby e companhia, de Enrique Vila-Matas. Tradução de Maria Carolina de Araujo e Josely Vianna Baptista. Cosacnaify, 188 páginas. R$ 39
Para que serve a literatura? Por que escrever? Muitos escritores tiram, dessa dúvida, a energia de que necessitam para se dedicar a seus livros. “Eu escrevo para saber por que eu escrevo”, sintetizou, certa vez, Fernando Sabino. Mas para muitos outros, a pergunta, em vez de motor, se transforma em obstáculo. Em vez de estimulá-los, os leva justamente na direção do silêncio e do vazio.
“Bartleby e companhia” é um livro que fica a meio caminho entre a ficção, o ensaio, a reflexão pessoal. Com ele, o escritor catalão nos mostra, mais uma vez, que a literatura é tão viva e móvel quanto um bicho, que suas fronteiras são líquidas e instáveis, que sua identidade — exatamente como a nossa, a humana — é pura irregularidade e simples ficção.
Ao longo do livro, desfilam escritores e personagens que se deixaram impregnar pelo que Vila-Matas chama de “do Não”. O próprio “Bartleby e companhia” — um conjunto de notas dispersas para um livro que nunca foi escrito — é, na verdade, uma narrativa que se ergue sobre uma negação. Difuso e pouco visível, o narrador de Vila-Matas é, ele também, uma vítima da doença do Não. Ainda assim, com suas notas ao romance inexistente, ele nos mostra que “escrever que não se pode escrever também é escrever.
As desculpas que justificam essa imobilidade são variadas. Ele nos recorda, por exemplo, a história de Paranóico Pérez, personagem do jovem escritor Antonio de la Mota Ruiz, que nunca pôde escrever um livro porque, sempre que tinha uma idéia, o português José Saramago a escrevia antes dele. Ou do francês Gustave Flaubert, que passava longos períodos de asfixia literária, amparando-se na desculpa de que não escrevia porque estava à espera da inspiração — ou seja, não escrevia para poder escrever.
Através de seu Monsieur Teste, o francês Paul Valéry dizia que “quanto mais se escreve, menos se pensa”, e nesse caso, o não escrever se torna uma justificativa — um fundamento — do pensamento e uma maneira secreta de filosofar. Os americanos até hoje se intrigam com o silêncio enfezado de Salinger; assim como nós, brasileiros, nos atormentamos com a mudez de Raduan Nassar, um exemplar escritor do Não que escapou a Vila-Matas.
Nas fronteiras do sonho literário, não escrever se converte, desse modo, numa manifestação extrema da literatura, como a prostração que se sucede ao orgasmo. Será ela o fim, ou o apogeu do prazer? Transposta para a literatura, e imitando os sábios orientais, a mesma pergunta ficaria assim: não escrever é abdicar da literatura ou, ao contrário, é esgotá-la?
Existem aqueles, como o francês Georges Simenon — que em 61 anos de atividade literária publicou 190 romances sob pseudônimo, 193 assinados com seu nome, 25 obras autobiográficas e mais de mil contos — que, ao contrário, são verdadeiros anti-Bartleby. Em 1929, ele chegou a escrever 41 romances!
Ao contrário de Simenon, os Bartleby de Vila-Matas, tomados por uma pulsão negativa que os leva sempre a desconfiar das palavras, ou a topar com sua insuficiência, se deixam vencer pelo mal do Não. São sujeitos que, na verdade, aspiram às delícias da paralisia e, como discípulos de Oscar Wilde, poderiam dizer que seu ideal é “não fazer absolutamente nada, que é a coisa mais difícil do mundo, a mais difícil e a mais intelectual”.
Optar pelo Não traz, ao menos, uma vantagem: se não escrevem, como esses escritores podem ser criticados? Com essa opção pelo silêncio, conservam intactas suas reputações e sua paz. Nesse caso, o “desfalecimento da palavra e naufrágio do Eu”, como Vila-Matas descreve, se torna, no fim das contas, uma estratégia de salvação. Não fazer é sempre menos perigoso que fazer.
Autor de esplêndidos aforismos, o francês Joseph Joubert, que foi secretário de Chateaubriand, lutava, sem sucesso, para escrever um livro. Cobrado por seu patrão, que muito o admirava, ele assim sintetizou seu impasse: “Ainda não posso escrevê-lo, ainda não encontrei a fonte que procuro. E se encontro essa fonte, terei mais motivos ainda para não escrever”. Joubert, como tantos escritores do Não, se deixava imobilizar pela insuficiência das palavras. Ele faz parte de uma longa galeria de escritores massacrados por seus próprios ideais que, não suportando a fragilidade das ações humanas, preferem delas abdicar, e assim se sentem mais próximos da perfeição.
O que não deixa de ser uma maneira de dar uma solução à questão literária. Escritores, provavelmente, habitados pelos versos do poeta Dylan Thomas: “Alguma certeza deve existir,/ se não de amar, ao menos de não amar”.
Por JOSÉ CASTELLO, jornalista e escritor.
Para que serve a literatura? Por que escrever? Muitos escritores tiram, dessa dúvida, a energia de que necessitam para se dedicar a seus livros. “Eu escrevo para saber por que eu escrevo”, sintetizou, certa vez, Fernando Sabino. Mas para muitos outros, a pergunta, em vez de motor, se transforma em obstáculo. Em vez de estimulá-los, os leva justamente na direção do silêncio e do vazio.
“Bartleby e companhia” é um livro que fica a meio caminho entre a ficção, o ensaio, a reflexão pessoal. Com ele, o escritor catalão nos mostra, mais uma vez, que a literatura é tão viva e móvel quanto um bicho, que suas fronteiras são líquidas e instáveis, que sua identidade — exatamente como a nossa, a humana — é pura irregularidade e simples ficção.
Ao longo do livro, desfilam escritores e personagens que se deixaram impregnar pelo que Vila-Matas chama de “do Não”. O próprio “Bartleby e companhia” — um conjunto de notas dispersas para um livro que nunca foi escrito — é, na verdade, uma narrativa que se ergue sobre uma negação. Difuso e pouco visível, o narrador de Vila-Matas é, ele também, uma vítima da doença do Não. Ainda assim, com suas notas ao romance inexistente, ele nos mostra que “escrever que não se pode escrever também é escrever.
As desculpas que justificam essa imobilidade são variadas. Ele nos recorda, por exemplo, a história de Paranóico Pérez, personagem do jovem escritor Antonio de la Mota Ruiz, que nunca pôde escrever um livro porque, sempre que tinha uma idéia, o português José Saramago a escrevia antes dele. Ou do francês Gustave Flaubert, que passava longos períodos de asfixia literária, amparando-se na desculpa de que não escrevia porque estava à espera da inspiração — ou seja, não escrevia para poder escrever.
Através de seu Monsieur Teste, o francês Paul Valéry dizia que “quanto mais se escreve, menos se pensa”, e nesse caso, o não escrever se torna uma justificativa — um fundamento — do pensamento e uma maneira secreta de filosofar. Os americanos até hoje se intrigam com o silêncio enfezado de Salinger; assim como nós, brasileiros, nos atormentamos com a mudez de Raduan Nassar, um exemplar escritor do Não que escapou a Vila-Matas.
Nas fronteiras do sonho literário, não escrever se converte, desse modo, numa manifestação extrema da literatura, como a prostração que se sucede ao orgasmo. Será ela o fim, ou o apogeu do prazer? Transposta para a literatura, e imitando os sábios orientais, a mesma pergunta ficaria assim: não escrever é abdicar da literatura ou, ao contrário, é esgotá-la?
Existem aqueles, como o francês Georges Simenon — que em 61 anos de atividade literária publicou 190 romances sob pseudônimo, 193 assinados com seu nome, 25 obras autobiográficas e mais de mil contos — que, ao contrário, são verdadeiros anti-Bartleby. Em 1929, ele chegou a escrever 41 romances!
Ao contrário de Simenon, os Bartleby de Vila-Matas, tomados por uma pulsão negativa que os leva sempre a desconfiar das palavras, ou a topar com sua insuficiência, se deixam vencer pelo mal do Não. São sujeitos que, na verdade, aspiram às delícias da paralisia e, como discípulos de Oscar Wilde, poderiam dizer que seu ideal é “não fazer absolutamente nada, que é a coisa mais difícil do mundo, a mais difícil e a mais intelectual”.
Optar pelo Não traz, ao menos, uma vantagem: se não escrevem, como esses escritores podem ser criticados? Com essa opção pelo silêncio, conservam intactas suas reputações e sua paz. Nesse caso, o “desfalecimento da palavra e naufrágio do Eu”, como Vila-Matas descreve, se torna, no fim das contas, uma estratégia de salvação. Não fazer é sempre menos perigoso que fazer.
Autor de esplêndidos aforismos, o francês Joseph Joubert, que foi secretário de Chateaubriand, lutava, sem sucesso, para escrever um livro. Cobrado por seu patrão, que muito o admirava, ele assim sintetizou seu impasse: “Ainda não posso escrevê-lo, ainda não encontrei a fonte que procuro. E se encontro essa fonte, terei mais motivos ainda para não escrever”. Joubert, como tantos escritores do Não, se deixava imobilizar pela insuficiência das palavras. Ele faz parte de uma longa galeria de escritores massacrados por seus próprios ideais que, não suportando a fragilidade das ações humanas, preferem delas abdicar, e assim se sentem mais próximos da perfeição.
O que não deixa de ser uma maneira de dar uma solução à questão literária. Escritores, provavelmente, habitados pelos versos do poeta Dylan Thomas: “Alguma certeza deve existir,/ se não de amar, ao menos de não amar”.
Por JOSÉ CASTELLO, jornalista e escritor.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Idlewild - El Captain
By the harbour I harbor
The strangest memories
Older than I could ever be
Stranded in nostalgia
So tonight i'll try harder
But it's hard to fix this spotlight on me
In a cast that's taking places
I'm not sure of where I want to be
Stand up, stand up and stand out
Applaud El Captain
And jump up to cheers from the crowd
Stand up, stand up and stand out
And I hope you take your camera
To photograph my tears as they hit the ground
No one even listens
The same way that no one ever laughs
I'm taking the car out of the snow
I'm wondering where the summer went to
Circled by your secrets
I'm hoping that they don't include me
At least I'm in good company
Because there's no one else around except me
Stand up, stand up and stand out
Applaud el captain
Just to watch the world slow itself
Stand up, stand up and stand out
And I hope you took your camera
The silence makes the loudest sound
It seems far too easy to say the same things
I'll choose my own way to use my life up
And finally I found a new way to say the same things in imaginary ways
I use my life up
You were looking at pictures in the distance
Hoping to see the future
In your pictures of the distance
Hoping to see the future...
By the harbour I harbor
The strangest memories
Older than I could ever be
Stranded in nostalgia
So tonight i'll try harder
But it's hard to fix this spotlight on me
In a cast that's taking places
I'm not sure of where I want to be
Stand up, stand up and stand out
Applaud El Captain
And jump up to cheers from the crowd
Stand up, stand up and stand out
And I hope you take your camera
To photograph my tears as they hit the ground
No one even listens
The same way that no one ever laughs
I'm taking the car out of the snow
I'm wondering where the summer went to
Circled by your secrets
I'm hoping that they don't include me
At least I'm in good company
Because there's no one else around except me
Stand up, stand up and stand out
Applaud el captain
Just to watch the world slow itself
Stand up, stand up and stand out
And I hope you took your camera
The silence makes the loudest sound
It seems far too easy to say the same things
I'll choose my own way to use my life up
And finally I found a new way to say the same things in imaginary ways
I use my life up
You were looking at pictures in the distance
Hoping to see the future
In your pictures of the distance
Hoping to see the future...
Ontem vi esse filme:
Spartan, novo trabalho de David Mamet, é mais um típico produto de seu fino atelier -que tem a vantagem de procurar ser também entretenimento. Os vôos da imaginação adestrada do diretor-roteirista propõem um jogo ao espectador que é pura diversão, do tipo mais refinado, que exige concentração, mas tem altas compensações no final da viagem.O protagonista é Scott (Val Kilmer), um duro oficial que trabalha em treinamento de pessoal no serviço secreto e também atende missões especiais. Neste momento, ele é convocado para uma empreitada especialíssima: descobrir o paradeiro de Laura Newton (Kristen Bell), filha maluquinha do presidente americano, que foi seqüestrada. Desde o começo, algo estranho parece estar acontecendo. Os próprios bastidores do serviço secreto, comandado por Burch (Ed O'Neill) e Stoddard (William H. Macy), não são exatamente um habitat muito saudável para ninguém, nem mesmo seus agentes.So, accompanied by a lone sidekick, Curtis (Derek Luke, de Pieces of April), he begins the investigation.
Um curiosidade: o ator Steven Culp - que é o marido da Desperate Housewife Bree - faz uma pequena participação no início do filme.
Spartan, novo trabalho de David Mamet, é mais um típico produto de seu fino atelier -que tem a vantagem de procurar ser também entretenimento. Os vôos da imaginação adestrada do diretor-roteirista propõem um jogo ao espectador que é pura diversão, do tipo mais refinado, que exige concentração, mas tem altas compensações no final da viagem.O protagonista é Scott (Val Kilmer), um duro oficial que trabalha em treinamento de pessoal no serviço secreto e também atende missões especiais. Neste momento, ele é convocado para uma empreitada especialíssima: descobrir o paradeiro de Laura Newton (Kristen Bell), filha maluquinha do presidente americano, que foi seqüestrada. Desde o começo, algo estranho parece estar acontecendo. Os próprios bastidores do serviço secreto, comandado por Burch (Ed O'Neill) e Stoddard (William H. Macy), não são exatamente um habitat muito saudável para ninguém, nem mesmo seus agentes.So, accompanied by a lone sidekick, Curtis (Derek Luke, de Pieces of April), he begins the investigation.
Um curiosidade: o ator Steven Culp - que é o marido da Desperate Housewife Bree - faz uma pequena participação no início do filme.
sábado, fevereiro 12, 2005
Love Steals Us From Loneliness
Idlewild
Every step takes a beat of your heart
Through a city that's falling apart
On a night that rises and clears
In a sky that's clouded by years
My anger is a form of madness
So I'd rather have hope than sadness
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
I misplaced your face in the shape of a smile
On a night that could never surprise me
Don't tell me you're afraid of the past
It's only the future that didn't last
You're kidding yourself, kidding yourself
You're going nowhere and you're going there fast
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
You said something
You said something stupid like
Love won't steal us from loneliness
Happy birthday
Idlewild
Every step takes a beat of your heart
Through a city that's falling apart
On a night that rises and clears
In a sky that's clouded by years
My anger is a form of madness
So I'd rather have hope than sadness
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
I misplaced your face in the shape of a smile
On a night that could never surprise me
Don't tell me you're afraid of the past
It's only the future that didn't last
You're kidding yourself, kidding yourself
You're going nowhere and you're going there fast
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
You said something
You said something stupid like
Love won't steal us from loneliness
Happy birthday
domingo, novembro 14, 2004
quarta-feira, novembro 10, 2004
Aries ( 21 de março a 20 de abril )Regente: Marte Elemento: Fogo Signo oposto e complementar: Libra
O símbolo de Áries é o carneiro. Primeiro signo do elemento fogo, representa a impulsividade, iniciativa, ação, urgência, coragem, egoísmo, imediatismo. Áries é o combate, o uso da força e da iniciativa, a busca de auto-afirmação. A motivação ariana direciona-se para a ação decidida, “derrubando” os obstáculos. Signo de espontaneidade nas reações, que são imediatas. Áries primeiro age, para depois refletir.
Caracteristicas: independência, ação, coragem, pioneirismo, liderança, franqueza, auto-afirmação, força física, agressividade, teimosia, autoritarismo, egoísmo, rápido desinteresse.
O signo chinês de seu nascimento é Macaco
Nome Chinês .: HÓU
Nome Japonês .: SARU
Horas .: 15:00 às 17:00 horas
Direção .: oeste-sudoeste
Mês Favoravel .: fevereiro (verão)
Signo Zodiacal .: Leão
Elemento .: Metal
Polaridade .: Yang
Metais .: ouro
Pedras .: rubi
Erva .: cravo
Perfume .: sândalo
Cores .: amarelo, laranja e dourado
Flor .: girassol
Planta .: carvalho
Número da Sorte .: 1
Dia da Sorte .: domingo
Saúde .:
este signo rege os músculos e a região do quadril, inclusive a parte superior das coxa.
Defeitos .: o orgulho pode se tornar exagerado, magoando os outros, pois descamba para o menosprezo. Impulsivo, podendo apelar para a violência, quando provocado.
Caracteristicas .:
Dotado de uma generosidade extremada, o nativo do Macaco tem muita facilidade de perdoar e se adaptar a situações que, a princípio, poderiam lhe ser adversas. É justo e honrado em seus atos e relacionamentos, sendo extremamente jovial e bondoso, desde que não tentem dominá-lo ou prejudicá-lo de alguma forma. Nesses momentos, pode ceder ao impulso e explodir com facilidade, protestando veementemente. As injustiças e a injúrias cometidas contra ele não ficam sem resposta, mas a intuição o ajuda a se manter longe desse tipo de situação. Isso se deve ao fato de se guiar mais pela emoção do que pela razão. Sua personalidade cativante é a arma utilizada para alcançar o que deseja, pois sua popularidade faz com que as portas se abram com relativa facilidade. Excelente planejador, inspira confiança, mas sofre terrivelmente quando subordinado a alguém com um ritmo ou uma personalidade inferior à sua. O orgulho próprio é muito forte, podendo tender para a vaidade. Aprecia o conforto e as boas coisas da vida. Precisa de uma relação amorosa profunda e constante para se manter em harmonia. No sexo, é o signo que mais importância dá ao assunto, tornando-o imprescindível em sua vida. Quando se junta isso a sua personalidade magnética, entende-se porque é considerado um dos mais conquistadores e sedutores dos signos. Hábil em agradar, pode satisfazer os anseios de qualquer outros dos signos, dando-lhes, no aspecto sexual, tudo o que esperam receber.
O símbolo de Áries é o carneiro. Primeiro signo do elemento fogo, representa a impulsividade, iniciativa, ação, urgência, coragem, egoísmo, imediatismo. Áries é o combate, o uso da força e da iniciativa, a busca de auto-afirmação. A motivação ariana direciona-se para a ação decidida, “derrubando” os obstáculos. Signo de espontaneidade nas reações, que são imediatas. Áries primeiro age, para depois refletir.
Caracteristicas: independência, ação, coragem, pioneirismo, liderança, franqueza, auto-afirmação, força física, agressividade, teimosia, autoritarismo, egoísmo, rápido desinteresse.
O signo chinês de seu nascimento é Macaco
Nome Chinês .: HÓU
Nome Japonês .: SARU
Horas .: 15:00 às 17:00 horas
Direção .: oeste-sudoeste
Mês Favoravel .: fevereiro (verão)
Signo Zodiacal .: Leão
Elemento .: Metal
Polaridade .: Yang
Metais .: ouro
Pedras .: rubi
Erva .: cravo
Perfume .: sândalo
Cores .: amarelo, laranja e dourado
Flor .: girassol
Planta .: carvalho
Número da Sorte .: 1
Dia da Sorte .: domingo
Saúde .:
este signo rege os músculos e a região do quadril, inclusive a parte superior das coxa.
Defeitos .: o orgulho pode se tornar exagerado, magoando os outros, pois descamba para o menosprezo. Impulsivo, podendo apelar para a violência, quando provocado.
Caracteristicas .:
Dotado de uma generosidade extremada, o nativo do Macaco tem muita facilidade de perdoar e se adaptar a situações que, a princípio, poderiam lhe ser adversas. É justo e honrado em seus atos e relacionamentos, sendo extremamente jovial e bondoso, desde que não tentem dominá-lo ou prejudicá-lo de alguma forma. Nesses momentos, pode ceder ao impulso e explodir com facilidade, protestando veementemente. As injustiças e a injúrias cometidas contra ele não ficam sem resposta, mas a intuição o ajuda a se manter longe desse tipo de situação. Isso se deve ao fato de se guiar mais pela emoção do que pela razão. Sua personalidade cativante é a arma utilizada para alcançar o que deseja, pois sua popularidade faz com que as portas se abram com relativa facilidade. Excelente planejador, inspira confiança, mas sofre terrivelmente quando subordinado a alguém com um ritmo ou uma personalidade inferior à sua. O orgulho próprio é muito forte, podendo tender para a vaidade. Aprecia o conforto e as boas coisas da vida. Precisa de uma relação amorosa profunda e constante para se manter em harmonia. No sexo, é o signo que mais importância dá ao assunto, tornando-o imprescindível em sua vida. Quando se junta isso a sua personalidade magnética, entende-se porque é considerado um dos mais conquistadores e sedutores dos signos. Hábil em agradar, pode satisfazer os anseios de qualquer outros dos signos, dando-lhes, no aspecto sexual, tudo o que esperam receber.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Essa não! Mais 4 anos de Bush!
Folha On Line: "O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, John Kerry, 60, ligou hoje para o atual presidente do país e candidato à reeleição, George W. Bush, 58, para reconhecer a vitória do republicano na eleição presidencial. A informação foi dada por Stephanie Cutter, da chefia de campanha do Partido Democrata." Oh no, Bush wins! It's the end of the world... Sabe aquela música do Greenday: American Idiot?
Welcome to a new kind of tension.
All across the alienation.
Everything isn't meant to be okay...
If you're looking for Election news, mulheres peladas, sexo, evanescence, rock, diversão...
Folha On Line: "O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, John Kerry, 60, ligou hoje para o atual presidente do país e candidato à reeleição, George W. Bush, 58, para reconhecer a vitória do republicano na eleição presidencial. A informação foi dada por Stephanie Cutter, da chefia de campanha do Partido Democrata." Oh no, Bush wins! It's the end of the world... Sabe aquela música do Greenday: American Idiot?
Welcome to a new kind of tension.
All across the alienation.
Everything isn't meant to be okay...
If you're looking for Election news, mulheres peladas, sexo, evanescence, rock, diversão...

Sarah Polley em: My Life Without me.
"This is you. You never thought you'd be doing something like this. You kind of like it being like this, fighting the cold and feeling the water seep into your shirt." O filme começa com Ann - Sarah Polley - parada na grama com a chuva caindo. Aos poucos ficamos sabendo que ela tem 23 anos, mora em um trailer no quintal da sua mãe - Debbie Harry - com o marido - Scott Speedman e duas filhas de 4 e 6 anos. Eles não têm muito mas ela não se queixa, nem mesmo quando descobre que está com câncer e tem apenas 3 meses de vida. Não é um dramalhão, não vemos muitas cenas de hospital, nem despedidas. Ann decide manter sua doença em segredo e faz uma lista de "dez coisas para fazer antes de morrer". Ela grava fitas com depoimentos para suas filhas, visita seu pai - Alfredo Molina - na prisão, conhece o personagem de Mark Ruffalo numa lavanderia e os dois vivem um caso de amor pouco convencional. O filme fala de uma morte anunciada e da importância de viver cada momento como se fosse o último. Claro que eu chorei. Ainda colocaram a música "Sometime Later" do Alpha no final. Mais melancólico impossível. Site oficial de My Life Without Me. Antes que me esqueça, também vi "Jogo de Sedução" - Dot the i com Gael Garcia Bernal,a espanhola Natalie Verbeke e James d’Arcy. Ela foge de um relacionamento violento e decide casar com um inglês rico, mas acaba conhecendo um brasileiro que desperta sua paixão. com um twist. Meio bobo, só vale a pena pelos atores. Podia ter mostrado um pouco mais de Londres.
Sometime Later
(Alpha)
Touch my hand
It's only me, listen
I'm here.
Come to stand
In sultry fields
With you.
And now
Old dummy day
I know
Is over this way.
I'm laughing
Saw you gonna kiss me
You see
Yeah as I said.
One day she won't
A lonely bird
Alone.
Judgement day
Saw the world it's gone
Unheard.
Sold the sea
A lot how it feels to me.
I hate the word it's sad to see
I take your weight
And your heart fades away
Today a renegade
To lay in woods
By the pheasants.
I mean it
You don't
Force on my head
Kill our nightmare.
A lonely bird, a lonely bird
A lonely bird, a lonely bird
A lonely bird, alone.
Colour me
Cover me in the colour that reminds you
Solemnly.
Could make the same mistake
And you would never know
That I am, that I am
Alone, now.
Something, something
Tells me that you
Have something
On, all of us now
You're heaven
Taking over me now
Colour me hate
Raw little nerve
Colour me and pull us
Only home
Me home.
Hold the sun down
Hold the sun down
Hold the moon down
Leave me to rest
Want the world man
Too the words out
Only relief is
To slip through the nets
Hold a minute
And stop a minute
And go, oh oh
Hold a minute
You said to me
Said to me and
Breath, breath, breath, breath, breath ...
You said it to me
Sometime later.
(Alpha)
Touch my hand
It's only me, listen
I'm here.
Come to stand
In sultry fields
With you.
And now
Old dummy day
I know
Is over this way.
I'm laughing
Saw you gonna kiss me
You see
Yeah as I said.
One day she won't
A lonely bird
Alone.
Judgement day
Saw the world it's gone
Unheard.
Sold the sea
A lot how it feels to me.
I hate the word it's sad to see
I take your weight
And your heart fades away
Today a renegade
To lay in woods
By the pheasants.
I mean it
You don't
Force on my head
Kill our nightmare.
A lonely bird, a lonely bird
A lonely bird, a lonely bird
A lonely bird, alone.
Colour me
Cover me in the colour that reminds you
Solemnly.
Could make the same mistake
And you would never know
That I am, that I am
Alone, now.
Something, something
Tells me that you
Have something
On, all of us now
You're heaven
Taking over me now
Colour me hate
Raw little nerve
Colour me and pull us
Only home
Me home.
Hold the sun down
Hold the sun down
Hold the moon down
Leave me to rest
Want the world man
Too the words out
Only relief is
To slip through the nets
Hold a minute
And stop a minute
And go, oh oh
Hold a minute
You said to me
Said to me and
Breath, breath, breath, breath, breath ...
You said it to me
Sometime later.
terça-feira, outubro 26, 2004
You Make Me Feel Like A Natural Woman
(Aretha Franklin)
Looking out on the morning rain
I used to feel so uninspired
And when I knew I had to face another day
Lord, it made me feel so tired
Before the day I met you, life was so unkind
But you're the key to my peace of mind
Cause you make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
When my soul was in the lost-and-found
You came along to claim it
I didn't know just what was wrong with me
Till your kiss helped me name it
Now I'm no longer doubtful of what I'm living for
And if I make you happy I don't need to do more
Cause you make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
Oh, baby, what you've done to me
You make me feel so good inside
And I just want to be close to you
You make me feel so alive
You make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
(Aretha Franklin)
Looking out on the morning rain
I used to feel so uninspired
And when I knew I had to face another day
Lord, it made me feel so tired
Before the day I met you, life was so unkind
But you're the key to my peace of mind
Cause you make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
When my soul was in the lost-and-found
You came along to claim it
I didn't know just what was wrong with me
Till your kiss helped me name it
Now I'm no longer doubtful of what I'm living for
And if I make you happy I don't need to do more
Cause you make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
Oh, baby, what you've done to me
You make me feel so good inside
And I just want to be close to you
You make me feel so alive
You make me feel, you make me feel, you make me feel like
A natural woman
terça-feira, outubro 19, 2004
"Do I contradict myself? Very well, then I contradict myself, I am large, I contain multitudes." Walt Whitman
A tool to draw: Flashgear
A tool to draw: Flashgear
sexta-feira, outubro 15, 2004
Whenever I'm alone with you,
You make me feel like I am home again.
Whenever I'm alone with you,
You make me feel like I am whole again.
However far away I will always love you
However long I stay I will always love you
Whatever words I say you know I will always love you...
Acordei com essa música na cabeça mas não lembrava quem cantava. Fui pesquisar e descobri que a música se chama Love Song, é do The Cure e já foi gravada pela Tori Amos, entre outros. Lembrei também que está na trilha sonora de 50 First Dates.
O desejo de se sentir viva, amada, no meio da monotonia surge uma fagulha. Assim sendo... Com diz a Cláudia Letti:
precisa-se:
...uma lufada de ar puro, um beijo com remetente, um desejo sem destinatário, um livro que me envolva - outro que me absolva -, meia tonelada de ânimo, o desfecho de um dilema, o ponto final de um poema, uma palavra que comece outro e uma saída pela direita.
You make me feel like I am home again.
Whenever I'm alone with you,
You make me feel like I am whole again.
However far away I will always love you
However long I stay I will always love you
Whatever words I say you know I will always love you...
Acordei com essa música na cabeça mas não lembrava quem cantava. Fui pesquisar e descobri que a música se chama Love Song, é do The Cure e já foi gravada pela Tori Amos, entre outros. Lembrei também que está na trilha sonora de 50 First Dates.
O desejo de se sentir viva, amada, no meio da monotonia surge uma fagulha. Assim sendo... Com diz a Cláudia Letti:
precisa-se:
...uma lufada de ar puro, um beijo com remetente, um desejo sem destinatário, um livro que me envolva - outro que me absolva -, meia tonelada de ânimo, o desfecho de um dilema, o ponto final de um poema, uma palavra que comece outro e uma saída pela direita.
quinta-feira, outubro 14, 2004
Para Pensar:
Na infância, menos TV e mais livros
Sinapse on line
O incentivo dos pais, aliás, é a maneira mais eficaz de fazer os pequenos gostarem de ler. A psicóloga clínica infantil Daniela Levy explica que toda criança cria modelos de comportamento e que os pais são os principais exemplos. "Quando nos colocamos na frente da TV durante todo o domingo, mostramos à criança que essa é a única forma que temos para relaxar e descansar." Para a psicóloga, a leitura pode ser comparada ao hábito alimentar. "Dificilmente, uma pessoa que não aprende a comer frutas e legumes desde cedo adquire esse costume quando cresce. Com a leitura, acontece da mesma forma", afirma. O gosto pela leitura desde cedo traz muitos benefícios: "Crianças e jovens que lêem têm um vocabulário mais rico. Sua linguagem e seu potencial criativo se desenvolvem com mais rapidez, e eles acabam tendo um destaque maior em suas atividades".
Na infância, menos TV e mais livros
Sinapse on line
O incentivo dos pais, aliás, é a maneira mais eficaz de fazer os pequenos gostarem de ler. A psicóloga clínica infantil Daniela Levy explica que toda criança cria modelos de comportamento e que os pais são os principais exemplos. "Quando nos colocamos na frente da TV durante todo o domingo, mostramos à criança que essa é a única forma que temos para relaxar e descansar." Para a psicóloga, a leitura pode ser comparada ao hábito alimentar. "Dificilmente, uma pessoa que não aprende a comer frutas e legumes desde cedo adquire esse costume quando cresce. Com a leitura, acontece da mesma forma", afirma. O gosto pela leitura desde cedo traz muitos benefícios: "Crianças e jovens que lêem têm um vocabulário mais rico. Sua linguagem e seu potencial criativo se desenvolvem com mais rapidez, e eles acabam tendo um destaque maior em suas atividades".
O filme Harry e Sally, Feitos um para o Outro, com Meg Ryan e Billy Crystal, tirou a nota máxima em um ranking sobre química sexual nas telas do cinema. De acordo com os pesquisadores, a voz, o contato do olhar, a linguagem corporal e a excitação podem ser utilizados para medir a química sexual.
Harry e Sally, Feitos um para o Outro conseguiu nota 10 na avaliação dos especialistas, e Casablanca ficou em segundo lugar.
O filme mais recente da pesquisa, Encontros e Desencontros, ganhou nota 9 por causa da "sutileza da relação" vivida na tela pelos atores Scarlett Johansson e Bill Murray.
Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn e George Peppard, também ganhou nota 9.
Harry e Sally, Feitos um para o Outro conseguiu nota 10 na avaliação dos especialistas, e Casablanca ficou em segundo lugar.
O filme mais recente da pesquisa, Encontros e Desencontros, ganhou nota 9 por causa da "sutileza da relação" vivida na tela pelos atores Scarlett Johansson e Bill Murray.
Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn e George Peppard, também ganhou nota 9.
segunda-feira, outubro 11, 2004
O ator norte-americano Christopher Reeve, que ficou famoso interpretando o herói das histórias em quadrinhos Super-Homem em quatro adaptações para o cinema, morreu neste domingo nos Estados Unidos devido a uma parada cardíaca, aos 52 anos de idade, informou seu porta-voz, Wesley Combs.
Reeve, que havia ficado tetraplégico em 1995 ao cair de um cavalo, morreu às 17h30 locais (18h30 de Brasília) no Hospital Northern Westchester de Nova York. Ele tinha entrado em coma no sábado, quando sofreu um ataque cardíaco em casa enquanto era atendido por causa de uma ferida, fato comum em pessoas paraplégicas.
Reeve ficou conhecido mundialmente ao interpretar o Super-Homem no filme homônimo lançado em 1978, dirigido por Richard Donner. O ator voltou a interpretar o "Homem de Aço" em outras três produções. Outra produção de grande sucesso em que participou foi a história romântica "Em Algum Lugar do Passado" (Somewhere in Time) (1980).Após o acidente que o deixou sem movimentos do pescoço para baixo, o ator se engajou na luta pelo uso das células-tronco no tratamento de doenças.Uma das últimas participações de Reeve como ator foi no seriado de televisão "Smallville", que conta as aventuras do adolescente Clark Kent antes de se tornar o Super-Homem.
Eu era uma grande fã dele, assisti "Os Bostonianos", um filme chato pra caramba, só porque ele estava no elenco. Mandei carta para o fã- clube, sonhei com ele depois de ver "Em Algum Lugar do Passado"... Fique em paz, Christopher Reeve.
quarta-feira, outubro 06, 2004
Keanu Reeves stars as John Constantine in Warner Bros. Pictures' "Constantine."
Constantine is a man who dabbles in the occult and teams with a female police officer to fight evil forces. Rachel Weisz will play Angela, the cop who becomes involved with Constantine when her twin sister dies in a mysterious suicide. Tilda Swinton will play Gabriel, a rogue angel battling Constantine. Gavin Rossdale will play Balthazar, a nemesis of Reeves' character, while Djimon Hounsou will star as Papa Midnite, the owner of an occult club who was once a demon fighter like Constantine but is now trying to get out of the business.The film is based on the DC-Vertigo comic book "Hellblazer".
terça-feira, outubro 05, 2004
WHERE WILL THIS LEAD US? I'M SCARED OF THE STORM.
THE OUTSIDERS ARE GATHERING. A NEW DAY IS BORN.
I tried to tell you I am not afraid
you looked up and saw it all across my face
so am I with you or am I against?
I don't think it's that easy, we're lost in regret.
now I'm trying to remember the feeling when the music stopped.
when you told me what you knew.
lost in the moment, the day that the music stopped.
and I do remember you.
A man walks away. when every muscle says to stay.
how many yesterdays? they each weigh heavy.
who says what changes may come. who says what we call home.
I know you see right through me, my luminescence fades,
the dusk provides an antidote, I am not afraid.
I've been a million times, in my mind,
and this is really just a technicality. frailty. reality.
uh, It's time to breathe.
Time to believe. Let it go and run towards the sea.
they don't teach that, they don't know what you mean.
they don't understand, they don't know what you mean.
they don't get it, I want to scream.
I want to breathe again, I want to dream.
I want to float a quote from Martin Luther King. (The Outsiders- lyrics from R.E.M)
THE OUTSIDERS ARE GATHERING. A NEW DAY IS BORN.
I tried to tell you I am not afraid
you looked up and saw it all across my face
so am I with you or am I against?
I don't think it's that easy, we're lost in regret.
now I'm trying to remember the feeling when the music stopped.
when you told me what you knew.
lost in the moment, the day that the music stopped.
and I do remember you.
A man walks away. when every muscle says to stay.
how many yesterdays? they each weigh heavy.
who says what changes may come. who says what we call home.
I know you see right through me, my luminescence fades,
the dusk provides an antidote, I am not afraid.
I've been a million times, in my mind,
and this is really just a technicality. frailty. reality.
uh, It's time to breathe.
Time to believe. Let it go and run towards the sea.
they don't teach that, they don't know what you mean.
they don't understand, they don't know what you mean.
they don't get it, I want to scream.
I want to breathe again, I want to dream.
I want to float a quote from Martin Luther King. (The Outsiders- lyrics from R.E.M)
segunda-feira, outubro 04, 2004
sábado, outubro 02, 2004
FRAGMENTOS (Vladimir Maiakóvski)
1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso
2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama
3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano
4
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo
5
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.
1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso
2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama
3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano
4
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo
5
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.
sexta-feira, outubro 01, 2004
Do que ri tanto o Paulo Henrique Amorim? se alguém descobrir, me conta, pois ele parece o cara mais feliz do planeta.
Meanwhile, enquanto lia a coluna do Lúcio Ribeiro - esse cara deve ser gay, nada contra, mas o alarme tocou - que mencionou essa banda Dresden Dolls, pessoas com sérios problemas, mas acabei gostando dessa música: Bad Habit. Aliás, que coisa terrível alguém se auto-mutilar assim. Tá doido? Gosto muito da minha pele...
biting keeps your words at bay
tending to the sores that stay
happiness is just a gash away
when i open a familiar scar
pain goes shooting like a star
comfort hasn't failed to follow so far...
and you might say it's self-indulgent
you might say its self-destructive
but, you see, it's more productive
than if i were to be healthy
& pens and penknives take the blame
crane my neck & scratch my name
but the ugly marks
are worth the momentary gain...
when i jab a sharpened object in
choirs of angels seem to sing
hymns of hate in memorandum
and you might say it's self-indulgent
and you might say it's self-destructive
but, you see, it's more productive
than if i were to be happy
and sappy songs about sex and cheating
bland accounts of two lovers meeting
make me want to give mankind a beating
and you might say it's self-destructive
but, you see, i'd kick the bucket
sixty times before i'd kick the habit
and as the skin rips off i cherish the revolting thought
that even if i quit
there's not a chance in hell i'd stop
and anyone can see the signs
mittens in the summertime
thank you for your pity, you are too kind
and you might say its self-inflicted
but you see that's contradictive
why on earth would anyone practice self destruction?
and pain opinions are sitcom feeding
they dont know that their minds are teething
makes me want to give mankind a beating
i'm tried bandages and sinking
i've tried gloves and even thinking
i've tried vaseline
i've tried everything
and no-one cares if your back is bleeding
they're concerned with their hair receding
looking back it was all maltreating
every thought that occurred misleading
makes me want to give myself a beating....
Meanwhile, enquanto lia a coluna do Lúcio Ribeiro - esse cara deve ser gay, nada contra, mas o alarme tocou - que mencionou essa banda Dresden Dolls, pessoas com sérios problemas, mas acabei gostando dessa música: Bad Habit. Aliás, que coisa terrível alguém se auto-mutilar assim. Tá doido? Gosto muito da minha pele...
biting keeps your words at bay
tending to the sores that stay
happiness is just a gash away
when i open a familiar scar
pain goes shooting like a star
comfort hasn't failed to follow so far...
and you might say it's self-indulgent
you might say its self-destructive
but, you see, it's more productive
than if i were to be healthy
& pens and penknives take the blame
crane my neck & scratch my name
but the ugly marks
are worth the momentary gain...
when i jab a sharpened object in
choirs of angels seem to sing
hymns of hate in memorandum
and you might say it's self-indulgent
and you might say it's self-destructive
but, you see, it's more productive
than if i were to be happy
and sappy songs about sex and cheating
bland accounts of two lovers meeting
make me want to give mankind a beating
and you might say it's self-destructive
but, you see, i'd kick the bucket
sixty times before i'd kick the habit
and as the skin rips off i cherish the revolting thought
that even if i quit
there's not a chance in hell i'd stop
and anyone can see the signs
mittens in the summertime
thank you for your pity, you are too kind
and you might say its self-inflicted
but you see that's contradictive
why on earth would anyone practice self destruction?
and pain opinions are sitcom feeding
they dont know that their minds are teething
makes me want to give mankind a beating
i'm tried bandages and sinking
i've tried gloves and even thinking
i've tried vaseline
i've tried everything
and no-one cares if your back is bleeding
they're concerned with their hair receding
looking back it was all maltreating
every thought that occurred misleading
makes me want to give myself a beating....
Is this the real life
Is this just fantasy
Caught in a landslide
No escape from reality...
No human contact. A need to be among other people. Laugh. Talk.
Talking about splitting. Is this the word? This happpened to a friend of mine. 20 years of marriage and then what seemed to be a good solid marriage is gone. Just like that. I wonder what went wrong. Maybe because they don't have kids? Is this a good reason to end a 20 year relationship? I don't now. It happens that we are good friends and spent nice moments together. Isso me lembra um filme com Dennis Quaid e Andie Macdowell: Dinner with Friends. Except that this is no movie, this is real life...
Is this just fantasy
Caught in a landslide
No escape from reality...
No human contact. A need to be among other people. Laugh. Talk.
Talking about splitting. Is this the word? This happpened to a friend of mine. 20 years of marriage and then what seemed to be a good solid marriage is gone. Just like that. I wonder what went wrong. Maybe because they don't have kids? Is this a good reason to end a 20 year relationship? I don't now. It happens that we are good friends and spent nice moments together. Isso me lembra um filme com Dennis Quaid e Andie Macdowell: Dinner with Friends. Except that this is no movie, this is real life...
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